Isto é corrupção! Bocalom pagou R$ 23 mil pelo aluguel de uma plaina que custa R$ 600,00; 4 unidades custaram R$ 1.1 milhão em 12 meses

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Enquanto milhares de famílias rio-branquenses ainda aguardam as paredes das promessas eleitorais, a gestão do prefeito Tião Bocalom (PP) parece ter erguido um monumento ao desperdício — ou algo muito mais grave. Documentos obtidos  pela nossa reportagem, extraídos diretamente do Portal da Transparência do Tribunal de Contas do Estado (TCE), revelam uma “anomalia” financeira que desafia qualquer lógica de mercado: a Prefeitura de Rio Branco contratou o aluguel mensal de uma plaina elétrica por R$ 23.500,00, equipamento que pode ser comprado novo por pouco mais de R$ 600,00.

O Preço do Absurdo: 3.400% acima do valor de compra

A investigação aponta que a Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) homologou um processo de aluguel de equipamentos de carpintaria sob uma névoa de incertezas jurídicas – E  A ORDEM DO SERVIÇO (VEJA ABAIXO) FOI ASSINADA PELO SECRETÁRIO DA SEINFRA, ANTONIO CID RODRIGUES, exatamente no ítem mais caro, a bendita plaina.  Publicamos ainda o comparativo de valores de compra no site de onde a prefeitura copiou o descritivo e impôs o aluguel absurdo com a empresa vendedora.

O processo, que flutua entre as nomenclaturas de “Pregão Eletrônico” e “Pregão Presencial” nos próprios documentos oficiais, culminou num contrato total de R$ 2.129.040,00.

O item que mais salta aos olhos é a plaina elétrica. Vejamos a conta que a prefeitura não quer que você faça:

  • Valor de mercado (compra): R$ 690,90 (conforme especificações do edital).

  • Valor do aluguel mensal (unidade): R$ 23.500,00.

  • Custo anual por unidade: R$ 282.000,00.

  • Total para 4 plainas em 12 meses: R$ 1.128.000,00.

Em termos práticos, com o valor de um único mês de aluguel de uma única plaina, a gestão Bocalom poderia ter comprado 34 equipamentos novos, de propriedade definitiva do município. Em um ano, o valor gasto com o aluguel de quatro máquinas seria suficiente para montar uma frota de mais de 1.600 plainas.

“1001 Dignidades”, o estelionato eleitoral

O destino dessas ferramentas de luxo seria a construção dos protótipos do famigerado programa 1001 Dignidades. A promessa, que foi o carro-chefe da campanha de Bocalom — registrada no item 6, página 27 de seu plano de governo (2021-2024) — previa a entrega de 10001 moradias.

O que se viu, no entanto, foi o que especialistas e oposição já classificam como um “calote eleitoral”. O projeto, que prometia levantar casas em um único dia, não saiu do papel para a população, mas serviu de lastro para licitações nebulosas. Enquanto as casas não aparecem, o dinheiro público escorre pelo ralo através de empresas situadas em endereços estratégicos, como o Complexo Correntão, no Segundo Distrito, às margens da BR-364.

Falta de Técnica ou Excesso de Má-Fé?

A reportagem apurou que a prefeitura sequer se deu ao trabalho de formular uma especificação técnica própria. O edital parece ter sido um “copia e cola” de sites de vendas de ferramentas, como a Loja do Mecânico (VEJA AQUI). A ironia é cruel: no link que serviu de base para o descritivo, o produto custa menos de 700 reais; na canetada de Bocalom e sua horda, ele passa a custar 23 mil por mês.

Item Valor de Mercado (Compra) Valor Aluguel (Mensal/Prefeitura) Diferença (Aprox.)
Plaina Elétrica Bosch GHO 700 R$ 690,90 R$ 23.500,00 + 3.300%

O Silêncio da Gestão

Até o fechamento desta edição, a Prefeitura de Rio Branco não explicou por que optou pelo aluguel astronômico em vez da compra direta, nem justificou a confusão documental entre as modalidades de pregão.

O caso agora deve seguir para o crivo do Ministério Público do Estado do Acre (MPAC) e do TCE, sob a suspeita de superfaturamento e crime contra a administração pública. Para o cidadão de Rio Branco, fica a pergunta: onde está a dignidade prometida, quando o dinheiro de uma casa popular é consumido pelo aluguel de uma única ferramenta de mão?

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