RIO BRANCO – O desembargador Junior Alberto Ribeiro indeferiu o pedido de liminar em habeas corpus apresentado pela defesa do fazendeiro Carlos Henrique Mendes Soares, conhecido como “Caíque”. O investigado foi um dos alvos centrais da Operação Regresso, deflagrada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) no início de fevereiro.
A defesa, representada pela banca do advogado e ex-presidente do TJ-AC, Adair Longuini, sustentou que a prisão seria desnecessária. Entre os argumentos apresentados, os advogados alegaram a “fragilidade das provas” (pela ausência de apreensão de drogas com o acusado), a falta de contemporaneidade dos fatos — citando diálogos de anos anteriores — e a possibilidade de substituição da prisão por medidas cautelares.
Contudo, o magistrado manteve a custódia preventiva. Na decisão, o desembargador destacou que as interceptações telemáticas e o rastreamento financeiro apresentam elementos concretos que ligam o fazendeiro a uma estrutura organizada de tráfico interestadual e ocultação de patrimônio, incluindo o uso de carros de luxo em nome de terceiros.
O mérito do recurso ainda será julgado de forma definitiva pela Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre.
O que foi a Operação Regresso?
A Operação Regresso é uma ação estratégica de segurança pública desenhada para golpear a estrutura financeira de organizações criminosas. Abaixo, detalho os pontos fundamentais da investigação:
1. Força Integrada (FICCO)
A operação não foi isolada; ela é fruto da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado, que une as polícias Federal, Civil, Militar e Penal. Esse modelo visa integrar a inteligência federal com a capilaridade das polícias estaduais.
2. O Escopo do Crime
O foco da investigação é o tráfico interestadual de drogas. O grupo não operava apenas no Acre, mas organizava a logística de transporte de entorpecentes de alto valor agregado para outros estados da federação.
3. Lavagem de Dinheiro e Blindagem Patrimonial
Um dos braços mais fortes da operação é o combate à lavagem de dinheiro. Segundo a investigação:
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O grupo utilizava a compra e venda de veículos de luxo para branquear o capital ilícito.
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Os bens eram registrados em nome de familiares e “laranjas” para dificultar o rastreamento pela Receita Federal e órgãos de controle.
4. O Papel do Fazendeiro (Caíque)
Carlos Henrique é apontado como peça-chave no núcleo logístico e financeiro. A investigação sugere que ele não era apenas um colaborador ocasional, mas alguém inserido na “gestão” da organização, atuando na negociação e alienação de bens que ocultavam o lucro do tráfico.
5. Provas Telemáticas
Diferente de flagrantes comuns (onde se apreende a droga), a Operação Regresso baseia-se fortemente em provas digitais. O rastreamento de mensagens, áudios e transações bancárias permitiu que a polícia desenhasse o organograma da quadrilha, mesmo sem a apreensão imediata de entorpecentes no dia das prisões.

