O cenário é de “déjà vu”, mas com um agravante de mau-caratismo político que desafia a memória do eleitor. O prefeito de Rio Branco, Sebastião Bocalom, voltou à cena nesta sexta-feira (13) para tentar vender uma narrativa de austeridade e competência financeira que não sobrevive a cinco minutos de uma torneira seca nos bairros da capital. Ao anunciar um aporte de R$ 51 milhões com supostos “recursos próprios” para o sistema de água, Bocalom não apenas omite o socorro bilionário do Governo Federal, como requenta uma promessa de 2020 que já deveria ter sido cumprida há anos.
A Fantasia dos “Recursos Próprios” e a Ingratidão Institucional
Enquanto o prefeito se gaba de uma suposta economia de R$ 11 milhões em insumos químicos e energia, ele convenientemente “esquece” de mencionar o oxigênio financeiro que mantém o Saerb (Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco) respirando.
Historicamente, o sistema sobrevive sob a tutela de repasses federais. Foram mais de R$ 111 milhões destinados via PAC para a expansão do saneamento e outros R$ 49,6 milhões para a modernização das ETAs I e II. Somente o Governo Lula transferiu montantes que superam os R$ 120 milhões, mas, na retórica do Palácio das Mercês, o sucesso é fruto exclusivo de uma gestão “poupadeira”. É uma postura que beira a ingratidão institucional, um cinismo retumbante, e mascara a dependência real da prefeitura em relação aos cofres da União.
Onde foi parar o dinheiro?
A pergunta que ecoa nas periferias de Rio Branco, onde o colapso do sistema de abastecimento é uma realidade cotidiana, é simples: se houve tanto investimento e tanta economia, por que a água não chega?
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Gestão Ineficiente: Em janeiro de 2026, o Saerb reportou um passivo de R$ 104 milhões. Deste montante, apenas 3,5% foram negociados. A inépcia de Bocalom em criar programas de refinanciamento eficazes impediu que a autarquia recuperasse uma fortuna que poderia ter sido reinvestida na rede.
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Créditos Suplementares: Em 2022, a Câmara já havia liberado R$ 32,5 milhões para emergências (bombas e insumos).
A sensação é de que o sistema de água de Rio Branco tornou-se um ralo financeiro onde entram milhões em repasses federais e saem apenas desculpas e vídeos de propaganda.
O Estelionato eleitoral de 2020 reeditado
Em 2020, o então candidato Bocalom garantiu que a universalização da água tratada seria prioridade máxima. Seis anos depois, a promessa é reciclada com a mesma roupagem, ignorando o fato de que a população já deu o crédito de confiança e recebeu, em troca, canos vazios e tarifas que não condizem com o serviço prestado.
Falar em “gestão eficiente” porque o quilo do Policloreto de Alumínio (PAC) caiu de R$ 5,81 para R$ 3,95 é subestimar a inteligência do cidadão. Economia de insumo não é resultado final; o resultado final é água na caixa d’água.
Conclusão: O Engodo da Austeridade
Ao priorizar o discurso da “austeridade” para esconder a falta de execução, Bocalom tenta transformar sua ineficiência administrativa em virtude financeira. O sistema continua colapsado, as dívidas seguem astronômicas e o prefeito insiste em dar as costas aos parceiros federais que realmente bancam a estrutura da capital.
O “novo” aporte de R$ 51 milhões soa menos como um plano de engenharia e mais como uma peça publicitária de um calote eleitoral anunciado. Para o povo de Rio Branco, que segue carregando baldes, a retórica do prefeito não mata a sede; apenas aumenta a indignação.
