BRASÍLIA – Uma investigação da Polícia Federal (PF) revelou um esquema de comercialização de informações fiscais sigilosas envolvendo um servidor da Receita Federal. O suspeito é acusado de acessar e vender dados brutos de altas autoridades da República, incluindo ministros, parlamentares e seus respectivos familiares.
De acordo com o inquérito, o esquema operava por meio da extração ilícita de declarações de Imposto de Renda e movimentações financeiras protegidas por sigilo bancário. As informações eram repassadas a terceiros em troca de pagamentos via criptoativos, dificultando o rastreamento do fluxo financeiro.
O Modus Operandi
O servidor utilizava suas credenciais de acesso para realizar consultas fora de sua competência funcional. Entre os dados vazados estariam:
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Patrimônio detalhado: Bens declarados e evolução patrimonial.
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Fluxo de caixa: Registros de entradas e saídas financeiras atípicas.
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Dados de parentes: Informações de cônjuges e filhos, utilizadas muitas vezes para tentativas de extorsão ou espionagem política.
Desdobramentos e Segurança
A Receita Federal informou, por meio de nota oficial, que o servidor já foi afastado de suas funções e que um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) foi aberto, podendo resultar em demissão a bem do serviço público.
“A instituição reforça que possui mecanismos rigorosos de auditoria e que qualquer acesso a sistemas sem motivação legal deixa rastros digitais que são monitorados constantemente”, afirmou o órgão.
A Polícia Federal agora busca identificar quem foram os compradores desses dados. A suspeita é de que empresas de inteligência privada e grupos de oposição política estejam entre os principais clientes do esquema. Os envolvidos podem responder pelos crimes de corrupção passiva, violação de sigilo funcional e lavagem de dinheiro.

