O constrangimento desta manhã na Câmara Municipal de Rio Branco não foi casual, foi político. O prefeito Tião Bocalom chegou à Casa e não foi recebido por nenhum vereador. No térreo, apenas integrantes de seu secretariado. No andar superior, os parlamentares estavam reunidos, cientes da presença do prefeito e, ainda assim, optaram pelo silêncio institucional.
Provocado pela imprensa, Bocalom concedeu entrevista e aguardou. Somente após articulações internas foi autorizado a subir.
O prefeito limitou-se a cumprimentar o presidente da Câmara, vereador Joab Lira, seu apadrinhado e único com quem teve contato direto. Com os demais vereadores, não houve conversa, apenas distância.
O episódio ocorre em meio ao embate judicial após o Executivo acionar a Justiça contra a decisão do Legislativo que elevou para 2% as emendas parlamentares, sob alegação de inconstitucionalidade. A resposta da Câmara foi fria, calculada e simbólica: portas fechadas, gestos mínimos e nenhuma disposição para negociação.
O recado político é claro. A relação entre Executivo e Legislativo está deteriorada, o diálogo foi substituído por retaliação e a cidade assiste a uma disputa de poder que ultrapassa o debate técnico e entra no terreno do confronto político aberto.
Bocalom precisa do apoio dos vereadores para levar adiante sua pré-candidatura a governador.
Tem que remar muito para reverter uma rejeição homérica, entre o eleitorado (segundo as pesquisas) e entre a base que ele jura possuir no parlamento.

