A crise que hoje envolve o SINTEAC não surgiu de forma repentina. Ela é resultado de um processo histórico marcado por decisões controversas, disputas internas e uma crescente sensação de esgotamento político. O sindicato, que já foi referência no movimento sindical da educação no Acre e chegou a ser apontado como o maior da Região Norte em número de filiados e capacidade de mobilização, vive agora seu momento mais delicado. Os que aceitam pagar suas contribuições visão tão somente o necessário plano de saúde. Os tempos áureos da entidade jazz.
A situação que persiste : o Ministério Público do Trabalho mandou retirar os professores da representação do Sinteac, que, de forma atabalhoada, perdeu o prazo de recorrer. apresentando, em seguida, o argumento de que não havia sido notificada.
Sob a presidência de Rosana Nascimento, a entidade enfrenta uma crise de representatividade que coloca em xeque sua legitimidade perante a base. Nos últimos anos, episódios como greves encerradas por determinação judicial, processos eleitorais realizados sob judice e disputas públicas entre correntes internas passaram a compor o cotidiano institucional. O que antes simbolizava unidade e força coletiva transformou-se em palco de questionamentos políticos e jurídicos.
Parte significativa da categoria aponta que a concentração de poder por mais de duas décadas nas mãos de um mesmo grupo dirigente comprometeu a alternância democrática e a renovação interna. A permanência prolongada de uma mesma hegemonia política tende a reduzir o espaço para divergências, enfraquecer o debate e afastar a base das decisões estratégicas. Nesse contexto, a gestão de Rosana Nascimento tornou-se alvo de críticas não apenas por decisões pontuais, mas pelo modelo de condução que teria consolidado um ciclo de centralização.
As acusações que recaem sobre sua gestão envolvem questionamentos acerca da condução de processos eleitorais e da estratégia adotada em mobilizações recentes — especialmente quando estas resultaram em impasses judiciais e desgastes públicos. Ainda que tais episódios estejam inseridos em um ambiente de forte disputa política, o impacto sobre a imagem institucional é inegável.
O momento atual é particularmente sensível. Há o entendimento, entre setores críticos, de que a hegemonia construída ao longo dos anos pode estar ameaçada nas próximas horas, seja por decisões judiciais, seja por reconfigurações internas de poder. Para esses grupos, trata-se de uma oportunidade de restabelecer a alternância e reconstruir pontes com a base. Para aliados da atual direção, o que está em jogo é a continuidade de um projeto histórico de luta sindical.
Mais do que a permanência ou não de uma dirigente, o que se discute é o futuro do próprio SINTEAC. A crise ultrapassa a figura de sua presidente e alcança a credibilidade de uma entidade que já teve protagonismo regional e papel decisivo nas conquistas da educação acreana. Se não houver capacidade de recomposição institucional, diálogo interno e reconstrução da confiança, o enfraquecimento poderá se consolidar.
O desfecho iminente — seja ele qual for — marcará um ponto de inflexão. Ou o sindicato se reinventa, promovendo maior transparência, alternância e participação, ou corre o risco de aprofundar o distanciamento entre direção e base. Em tempos de fragilidade do movimento sindical, o que está em disputa não é apenas um mandato, mas a própria relevância histórica de uma instituição que já foi símbolo de mobilização e resistência no Acre.

