A tentativa da Universidade Federal do Acre (UFAC) de se desvincular de seu candidatos oficial à Reitoria, em meio à atual disputa eleitoral, levanta mais dúvidas do que esclarecimentos. O caso ganhou repercussão após o portal O Seringal publicar a matéria intitulada “Eleições na UFAC: registro de chapa oficial levanta suspeita sobre conduta ética de articuladores”, neste domingo (reveja logo abaixo), colocando sob suspeita a condução do processo de registro da candidatura e comprovando a ligação de dois docentes – um deles com histórico de crime sob investigação pela Polícia Federal.
A negativa que não convence
Após a denúncia vir a público, a Universidade Federal do Acre teria buscado se afastar formalmente do candidato, negando ter orientado ou participado de qualquer articulação relacionada ao registro da chapa. A movimentação soa como uma tentativa de contenção de danos.
O problema é que a reação institucional não foi linear. O Portal Contilnet divulgou o comunicado atribuindo a informação à “Ascom” (Assessoria de Comunicação), levando a oposição a questionar se a estrutura administrativa da universidade estava a serviço de seu pretendido.
Pouco depois, o mesmo veículo publicou uma errata, alegando erro na atribuição da fonte, removeu a citação da Ascom acima do texto, mas manteve a fonte Ascom como autora da foto que ilustra a reportagem. (veja seguir)
Esse vai e vem comunicacional fragiliza a narrativa oficial e lança questionamentos sobre transparência e responsabilidade. Houve tentativa de controle de narrativa? Ou houve precipitação da imprensa? Em qualquer cenário, a gestão da crise foi marcada por ruído e improviso.
As referências indicadas pelo próprio candidato
Outro ponto sensível é que o próprio candidato à Reitoria teria indicado dois professores como referências de sua comunicação institucional. Ambos, segundo críticas levantadas no debate público, já foram apontados em episódios envolvendo suspeitas de condutas éticas e até criminais.
Mesmo que não haja condenações transitadas em julgado — e é fundamental respeitar o devido processo legal — o simples fato de nomes associados a controvérsias figurarem como referências estratégicas numa campanha à Reitoria já é suficiente para tensionar o ambiente acadêmico.
A universidade é um espaço que exige exemplaridade ética. Quando personagens envolvidos em questionamentos anteriores reaparecem como articuladores ou conselheiros de um projeto de poder institucional, a comunidade tem o direito de cobrar explicações claras.
Eleições na Ufac: registro de chapa oficial levanta suspeitas sobre conduta ética de articuladores
Comunicação truncada e desgaste institucional
O episódio revela três problemas centrais:
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Fragilidade comunicacional – A divulgação inicial citando a “Ascom” e a posterior correção evidenciam desorganização ou falta de alinhamento.
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Falta de transparência – A negativa institucional, sem esclarecimentos detalhados, não responde plenamente às suspeitas levantadas.
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Risco à credibilidade – A associação do candidato a figuras controversas amplia o desgaste e contamina o debate eleitoral.
Em processos eleitorais universitários, é natural que haja embates. O que não pode ser naturalizado é a opacidade. A comunidade acadêmica — composta por professores, técnicos e estudantes — merece respostas objetivas, documentadas e públicas.
Tentativa de distanciamento ou estratégia de autopreservação?
A tentativa da UFAC de negar orientação ao registro da candidatura (leia a nota oficial abaixo) pode ser interpretada como um esforço legítimo de preservar a institucionalidade. Contudo, quando essa negativa surge apenas após a denúncia pública e vem acompanhada de ruídos na comunicação, a percepção social tende a ser outra: a de que a instituição reage sob pressão, não por princípio.
Mais do que a disputa eleitoral em si, está em jogo a confiança na governança universitária. Em tempos de vigilância social ampliada e circulação rápida de informações, estratégias defensivas mal coordenadas podem causar mais danos do que o silêncio inicial.
Se a universidade deseja preservar sua imagem, o caminho não é o distanciamento tardio, mas a transparência ativa. Em eleições acadêmicas, ética não é apenas requisito formal — é fundamento de legitimidade.




