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A maior rejeição nas pesquisas e portas fechadas nos partidos: o milagre que Bocalom espera na corrida pelo governo

A pré-candidatura do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, ao governo do Acre parece enfrentar um obstáculo que vai além das urnas: a dificuldade de encontrar um partido disposto a lhe oferecer abrigo político. O isolamento partidário que se desenha nos bastidores da política acreana tem sido interpretado por analistas como um reflexo direto da rejeição que o gestor carrega perante o eleitorado.

O primeiro sinal veio de dentro de casa. O próprio Partido Liberal, legenda à qual Bocalom está filiado, decidiu priorizar outros projetos políticos, especialmente a reeleição do senador Márcio Bittar, deixando claro que a candidatura do prefeito ao governo não é prioridade da sigla. Diante do recado, Bocalom passou a procurar alternativas em partidos como PSDB e Podemos, mas sem qualquer sinal concreto de acolhimento até o momento.

O problema, no entanto, parece ser mais profundo do que uma simples disputa interna por espaço partidário. Pesquisas recentes indicam que o prefeito da capital lidera os índices de rejeição entre os nomes cotados para a disputa pelo governo do Acre. Levantamento do instituto Real Time Big Data apontou que Bocalom tem 42% de rejeição, a maior entre os pré-candidatos analisados.

Outro levantamento, divulgado pela Data Control, também colocou o prefeito no topo do ranking de rejeição, com cerca de 29,5% do eleitorado afirmando que não votaria nele de forma alguma.

Em política, partidos raramente apostam em candidaturas com alto potencial de desgaste eleitoral. Afinal, legenda não é apenas um abrigo burocrático para registro de candidatura — é investimento estratégico. E investir em um nome com rejeição elevada pode significar comprometer toda a chapa proporcional e a própria sobrevivência eleitoral da sigla.

Nesse contexto, o que se observa é um fenômeno curioso: a rejeição das pesquisas parece encontrar eco na rejeição partidária. O “não” que vem das direções estaduais dos partidos reproduz, em certa medida, o sentimento já identificado nas sondagens de opinião pública.

Ainda assim, Bocalom mantém o discurso de que seguirá firme no projeto de disputar o governo e insiste que sua candidatura é um “sonho legítimo”.

Mas na política, sonhos precisam de estrutura — e isso inclui partido, alianças e viabilidade eleitoral. Sem esses elementos, a candidatura tende a se transformar em uma travessia solitária.

No cenário atual, o prefeito de Rio Branco parece apostar em algo que raramente aparece nas planilhas da estratégia política: um milagre eleitoral.

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