A guerra no Oriente Médio completou um mês com milhares de mortos, e muitos se perguntam o que falta para que este conflito chegue ao fim. Segundo a analista Fernanda Magnotta, no CNN 360°, para que a guerra acabe, é necessário entender por que ela começou.
De acordo com Magnotta, ainda não há um consenso sobre os reais objetivos da incursão militar. “Essa é uma pergunta que, embora pareça simples, até o momento carece de uma resposta relativamente consensual. Não se tem muito claro quais são os objetivos efetivos dessa operação”, explicou.
A analista aponta que os possíveis interesses por trás do conflito podem ser diversos: “Se são objetivos exclusivamente estratégico-militares do lado americano, se são objetivos de dissuasão regional do lado israelense, se é um objetivo político articulado para mudança de regime, já foi tudo isso e ao mesmo tempo parece que não é apenas isso”.
Três elementos para o fim do conflito
Magnotta destaca que há três elementos fundamentais para que o conflito chegue ao fim. O primeiro é entender quais são os interesses que iniciaram e movem a guerra. O segundo é a construção de confiança entre as partes envolvidas. “É preciso que haja construção de confiança entre as partes, que é algo que toda vez que a gente fala em conflito volta à tona e que nesse momento me parece um tanto quanto distante no caso dessa guerra em particular”, afirmou.
O terceiro elemento seria a criação de um aparato institucional e de governança internacional eficaz. “Falta minimamente articular dentes coercitivos do direito internacional, organizações que tenham capacidade de gerenciamento, de criação de meios para a diplomacia”, explicou a analista, ressaltando que o sistema existente é muito falho e ineficaz.
A especialista ressalta que, no curto prazo, o mais factível seria entender claramente os objetivos políticos e militares das partes e verificar o que é possível fazer em termos de concessões. “Uma espécie de toma lá, dá cá, pelo menos visando uma estabilidade mínima da economia e cessar-fogo para poupar vidas“, conclui Magnotta.
No entanto, ela alerta que nenhuma dessas medidas será implementada sem interesse das lideranças envolvidas, o que depende diretamente da pressão interna que elas sofrem: “Se não tiver pressão interna, se elas não acharem que vão perder alguma coisa com isso, elas não darão esses passos”.