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Anduril e Palantir: a ligação entre Tolkien, IA e tecnologia militar

Anduril e Palantir: a ligação entre Tolkien, IA e tecnologia militar

Duas empresas com nomes inspirados no escritor J. R. R. Tolkien utilizam inteligência artificial e sistemas de dados aplicados à tecnologia militar dos dias atuais: Anduril e Palantir.

Nos últimos anos, essas companhias passaram a aparecer com frequência em discussões sobre como governos usam softwares e outras tecnologias para lidar com informações sensíveis e acelerar decisões em cenários de conflito.

Ao mesmo tempo, a escolha por referências de “O Senhor dos Anéis” para batizar essas companhias se tornou um símbolo curioso. Entenda como Palantir e Anduril se inspiraram na obra de Tolkien.

Anduril e Palantir

A Palantir é uma empresa que firmou diversos contratos com o governo dos Estados Unidos nas áreas de segurança e defesa. Seus softwares analisam grandes volumes de dados para apoiar estratégias e oferecer respostas mais rápidas.

Já a Anduril se apresenta como uma empresa que vai além do software, pois também desenvolve e fabrica armas, sistemas autônomos e sensores, como drones.

Qual é a conexão entre Palantir, Anduril e Tolkien?

Enquanto a Palantir utiliza a metáfora da visão e da vigilância, a Anduril se apoia no símbolo de uma arma forjada para a guerra. Ou seja, seguindo exatamente o que cada uma das empresas realmente faz.

Palantir e Senhor dos Anéis

No caso da Palantir, a conexão está na própria origem do nome: a empresa foi batizada com base no “Palantir”, um objeto mágico do universo criado pelo escritor britânico J. R. R. Tolkien em “O Senhor dos Anéis“.

Nesse mundo, o Palantír é descrito como um instrumento de “visão à distância”, pois mostra eventos reais, mas pode ser direcionado e até induzir interpretações incorretas.


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Em “O Senhor dos Anéis”, o objeto mágico Palantir foi utilizado pelo mago das trevas Saruman • Reprodução/New Line Cinema

Na trama, um dos exemplos mais claros disso aparece na trajetória de Denethor, regente de Gondor, que usa o objeto. Ao enxergar apenas o poder militar do seu adversário, Denethor passa a acreditar que a derrota é inevitável e toma decisões desesperadas. Isso quer dizer que a manipulação não acontece por meio de imagens falsas, mas por informações verdadeiras parciais.

Informações também sugerem que os escritórios da empresa foram batizados com referências à obra de J. R. R. Tolkien. O escritório de Palo Alto, por exemplo, é chamado de Condado (The Shire), enquanto o de Washington, D.C. recebeu o nome de Minas Tirith e o da Virginia de Rivendell.

O que significam esses locais no universo Tolkien:

Anduril e “Senhor dos Anéis”

Já a Anduril segue uma lógica parecida. O fundador da empresa, Palmer Luckey, afirmou que o nome é uma referência direta à espada do personagem Aragorn, em “O Senhor dos Anéis”. Na obra, “Anduril” também é conhecida como “Flame of the West” (chama do Oeste, em português).

“Anduril é a espada de Aragorn em ‘O Senhor dos Anéis’. Em élfico, pode ser traduzida como ‘Defensora do Oeste’ ou ‘Chama do Oeste’”, disse Luckey em entrevista ao site DefAeroReport.

Dessa forma, o nome Anduril faz referência a uma das armas mais famosas de “O Senhor dos Anéis”. A escolha conversa diretamente com a atuação da empresa, que desenvolve novas armas e tecnologias voltadas ao uso em guerras.

Como essas empresas estão utilizando IA para refinar a tecnologia militar

Hoje, um dos projetos mais conhecidos da Palantir é o Maven Smart System. Ele surgiu no Pentágono para analisar imagens captadas por drones e passou a ser usado em aplicações mais amplas dentro da área militar.

Em março de 2026, uma carta do Departamento de Defesa dos Estados Unidos indicou que o governo pretende transformar o Maven em um programa oficial e permanente.

No caso da Anduril, o principal destaque é o Lattice. Trata-se de um software que funciona como uma espécie de centro de integração entre sensores, operadores humanos e sistemas autônomos. 

A proposta do Lattice é reunir dados de várias fontes em tempo real para facilitar a identificação, a classificação e o acompanhamento de ameaças.

Tolkien aprovaria a utilização dos nomes?

J R. R. Tolkien viveu a Primeira Guerra Mundial de dentro: em 1916, ele foi enviado à França como um soldado, onde serviu como oficial de sinalização do batalhão e passou meses em diferentes batalhas.

Em uma carta enviada ao filho Christopher décadas depois, Tolkien descreveu a guerra como um um “desperdício estúpido” não só material, mas também moral e espiritual. Nela, ele reconhece que às vezes é necessário enfrentar a guerra, mas deixa claro o repúdio à normalização do sofrimento e romantização desses conflitos.

Não podemos saber se o autor aprovaria empresas modernas envolvidas em guerras, até porque ele faleceu em 1973. Assim, qualquer resposta definitiva seria apenas especulação.

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