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BC não pode ser mais nervoso que mercado, dizem analistas

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BC não pode ser mais nervoso que mercado, dizem analistas

 

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) voltou a cortar a Selic, a taxa básica de juros do país, pela primeira vez desde maio de 2024.

Com a decisão de cortar os juros em 0,25 ponto, levando a taxa ao patamar de 14,75% ao ano, o Copom adotou uma postura cautelosa, segundo analistas ouvidos pelo CNN Money.

Em primeira análise, Reinaldo Le Grazie, ex-diretor de Política Monetária do BC e sócio da Panamby Capital, destaca que “o Banco Central não pode ser mais nervoso que o mercado”.

A alta cúpula da autarquia chama o movimento de “ciclo de calibração da política monetária” no comunicado da decisão desta quarta-feira (18).

“A leitura é de que o Banco Central deu início a uma recalibração técnica dos juros, e não a um ciclo de afrouxamento acelerado. A ausência de forward guidance reforça que os próximos passos dependerão da evolução dos dados”, pontua Raphael Vieira, co-head de Investimentos da Arton Advisors.

“Em resumo, o Copom começou a cortar juros, mas com uma estratégia claramente gradual e condicionada, indicando que a Selic deve permanecer em nível restritivo por mais tempo.”

Le Grazie ressalta que “a surpresa foi tudo que está acontecendo nas últimas semanas”, em referência à guerra no Oriente Médio.

Desde o dia 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, o mercado tem conduzido o carro através da neblina. A incerteza enfraqueceu o ímpeto das bolsas e esfriou as apostas sobre cortes de juros. Nos últimos dias, fortaleceu-se inclusive a opinião daqueles que acreditavam que os juros seriam mantidos em 15%.

O ex-diretor do BC vê a decisão e o comunicado da autarquia como positivos em meio ao cenário de incerteza.

“O Banco Central passou serenidade – já é uma expressão que ele usou recentemente e usou novamente agora – e demonstrou serenidade”, enfatizou.

Mudança no tom

Ao notar que o Copom deixou de mencionar “genericamente” o termo “tensão geopolítica” como uma incerteza, e falar explicitamente em “acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio”, Beto Saadia, economista-chefe da Nomos, aponta que “a diferença é clara” na postura do colegiado.

“O Copom entregou hoje o corte de 25 pontos-base, acompanhado de projeções piores, tom mais cauteloso e um forward guidance que, na prática, deixou de existir. […] Quanto ao tom, a diferença é clara. […] Além da mudança de expressão, o comitê dedicou um parágrafo inteiro aos impactos do conflito”, avalia Saadia.

“Ainda assim, houve corte. A justificativa é que a política monetária já está produzindo os efeitos esperados. Contudo, se em janeiro havia sinalização explícita de novo corte na reunião seguinte, agora não há qualquer indicação sobre o próximo passo”, pontua.

Assim como Le Grazie, o economista-chefe da Nomos sublinha como o Copom prega por “serenidade e cautela” e condiciona as decisões futuras sobre a política monetária a “novas informações que aumentem a clareza” sobre os conflitos e seus efeitos. Tudo vai depender do quanto a guerra vai durar.

Considerando um arrefecimento do conflito, levando o petróleo a preços abaixo de US$ 80 nos próximos meses, Saadia vê mais cortes de 0,25 ponto acontecendo, “dado que os juros estão bem altos e absorvem os impactos da alta da commodities“. Contudo, acredita que esses cortes param em 13,25% no fim do ano.

Já o ex-BC acredita que “o ritmo acelera em breve”, mas mantendo em mente que “temos que esperar para ter mais informações, mais dados”. Para ele, o cenário-base é de corte de 0,5 ponto na próxima reunião do Copom.

Contraponto

Parte dos analistas apontam, porém, que o Copom deu um sinal mais brando que o esperado – dovish no jargão da política monetária – ao apontar estimativas e uma balança de riscos mais leves que o mercado projeta.

“Para justificar o movimento em meio à guerra e a um preço do petróleo que ainda não se estabilizou, o comitê escolheu olhar a evolução recente do cenário com uma lente mais ‘dove‘ do que o padrão recente”, diz Luciano Sobral, sócio e economista-chefe da Neo Investimentos.

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