A indústria extrativa deve continuar entre os principais vetores de sustentação da economia brasileira em 2026, mesmo diante da desaceleração mais ampla da atividade industrial, segundo o BC (Banco Central).
No Relatório de Política Monetária divulgado nesta quinta-feira (26), a autoridade monetária projeta crescimento de 4,0% da indústria extrativa em 2026, após expansão de 8,6% em 2025, quando o setor foi um dos destaques do desempenho econômico do país.
O movimento contrasta com a perda de fôlego esperada para a indústria como um todo, em meio ao impacto da política monetária restritiva e ao arrefecimento da demanda doméstica.
As projeções do Banco Central indicam crescimento mais moderado em diversos segmentos industriais em 2026. A indústria de transformação, mais sensível ao consumo e ao crédito, deve crescer 0,5%, enquanto a construção civil tem expectativa de avanço de 1,0%. Já a indústria total deve expandir 1,2% no período.
Segundo o BC, a forte expansão da indústria extrativa em 2025 foi sustentada principalmente pelo aumento da produção de petróleo e minério de ferro, atividades mais ligadas ao mercado externo e menos sensíveis ao ciclo econômico doméstico.
Esse perfil tende a manter o setor mais resiliente também em 2026.
Enquanto segmentos mais dependentes da demanda interna, como indústria de transformação e construção, perdem dinamismo, a indústria extrativa continua apoiada pela expansão da produção e pela demanda global por commodities.
O próprio relatório aponta que, no cenário internacional, metais industriais seguem pressionados por restrições estruturais de oferta e pela demanda associada à eletrificação, inteligência artificial e expansão de data centers, fatores que reforçam o papel estratégico da mineração na economia global.
Ao mesmo tempo, o Banco Central observa que os preços do minério de ferro permanecem mais contidos, refletindo a desaceleração estrutural do setor imobiliário chinês, principal consumidor global da commodity.
Mesmo com esse cenário misto, a avaliação do BC é de que a indústria extrativa deve seguir como um dos segmentos mais resilientes da economia brasileira em 2026, sustentando parte relevante do crescimento em um ambiente de atividade mais moderada.
