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Bocalom não tem tropa para a batalha eleitoral; Possível entrada no PSDB provocaria revoada de tucanos no Acre

Nenhum projeto majoritário sobrevive sem base, sem aliados e, sobretudo, sem nomes capazes de preencher as engrenagens do sistema eleitoral. É justamente nesse ponto que surge o maior obstáculo para o prefeito de Rio Branco, Sebastião Bocalom, caso decida manter sua pré-candidatura ao governo do Acre. De onde ele arrumaria dezenas de candidatos para disputar 24 cadeiras na Aleac e na Câmara Federal? Quem seria louco de aventurar-se ao Senado da República numa chapa com Bocalom na cabeça, sem aliança contundente, competitiva, sem estrutura partidária, sem fundo eleitoral?

Nos bastidores, o problema já é tratado como uma questão estrutural: a escassez de nomes competitivos no entorno político do prefeito para compor chapas proporcionais viáveis — tanto para deputado estadual quanto para deputado federal. Em um sistema eleitoral que depende de densidade partidária para puxar votos e eleger bancadas, lançar uma candidatura ao governo sem um exército eleitoral é como entrar numa guerra com poucos soldados.

A situação se torna ainda mais delicada quando se observa o tabuleiro político já em formação no estado. De um lado, uma ampla frente articulada em torno do governador Gladson Cameli reúne partidos robustos e nomes consolidados, incluindo forças como o PL de Márcio Bittar e o campo político que orbita em torno do MDB. No campo da oposição, o ex-governador Jorge Viana também reorganiza sua base histórica.

Nesse cenário congestionado, a candidatura de Bocalom corre o risco de nascer sem musculatura política suficiente.

É justamente por isso que ganha força, nos bastidores, a hipótese de uma reconfiguração estratégica envolvendo o senador Alan Rick. A equação seria simples no papel, mas complexa na prática: Bocalom abriria mão da disputa pelo governo e passaria a mirar uma vaga ao Senado dentro de uma aliança mais ampla.

Mas essa alternativa depende de um fator decisivo: a abertura de espaço no Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Sem um abrigo partidário forte, a candidatura senatorial do prefeito se tornaria inviável.

E é aí que a conta política começa a não fechar.

Caso o PSDB ofereça legenda a Bocalom, a consequência imediata pode ser uma debandada significativa dentro da sigla no Acre. Lideranças historicamente alinhadas ao governo Cameli dificilmente permaneceriam no partido diante de uma mudança brusca de rumo. Entre os nomes que poderiam deixar o ninho tucano estão figuras como a ex-deputada Vanda Milani e o presidente da Fundação Elias Mansour, Minoru Kimpara, além de outras lideranças que orbitam a base governista.

Seria, na prática, uma revoada política.

A saída dessas lideranças fortaleceria ainda mais a chamada “mega aliança” já costurada entre partidos como PP, PL, MDB e outras siglas intermediárias que gravitam em torno do Palácio Rio Branco. Ou seja: ao tentar reorganizar o jogo, o PSDB poderia acabar enfraquecendo ainda mais sua presença local.

Não por acaso, a direção nacional tucana segue avaliando o cenário com cautela. O partido sabe que qualquer decisão terá impacto direto na reorganização das chapas proporcionais — tanto para deputado federal quanto para deputado estadual — além de provocar uma redefinição interna sobre quem fica, quem sai e quem poderá ingressar na legenda.

Enquanto isso, Alan Rick e Sebastião Bocalom enfrentam o desafio de convencer o PSDB de que a aposta vale o risco. Precisam provar que a entrada do prefeito pode fortalecer o partido — e não provocar uma implosão interna.

Não é tarefa simples.

Na política, alianças não se constroem apenas com discursos ou projetos pessoais. Elas dependem de densidade eleitoral, de capilaridade regional e, sobretudo, de gente disposta a entrar no campo de batalha.

E é justamente isso que hoje parece faltar ao projeto político de Bocalom: um exército.

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