A conclusão do inquérito que investiga o suposto estupro de duas jovens envolvendo jogadores do Vasco da Gama do Acre provocou uma reviravolta no caso e trouxe novos desdobramentos judiciais. O relatório final foi encaminhado na última segunda-feira pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) ao Poder Judiciário e ao Ministério Público.
No documento, a delegada responsável pela investigação pediu a manutenção da prisão de um dos investigados e a mudança da situação de outro suspeito, enquanto recomendou a soltura de dois atletas que chegaram a ser presos durante o curso das apurações.
Prisões mantidas e pedido de preventiva
De acordo com o relatório policial, Eric Luiz Serpa dos Santos, que foi preso em flagrante durante as investigações, deve permanecer detido. A delegada responsável pelo caso apontou indícios suficientes de participação dele no crime e solicitou a manutenção da prisão.
No mesmo relatório, a autoridade policial também pediu à Justiça a conversão da prisão temporária em prisão preventiva de Brian Peixoto Henrique, medida que, caso confirmada, mantém o investigado preso por prazo indeterminado durante o andamento do processo.
Brian havia se apresentado espontaneamente à polícia após a decretação de prisão temporária de 30 dias.
Falta de indícios leva à soltura de dois jogadores
Já em relação aos atletas Alex Pires Bastos Júnior e Matheus da Silva Azeredo Brandão, conhecido como Manga, a delegada concluiu que não foram encontrados elementos suficientes no inquérito que comprovassem participação deles no suposto crime.
Diante dessa avaliação, foi recomendada à Justiça a revogação das prisões temporárias.
Justiça acata recomendação
Na manhã desta terça-feira (10), o juiz Marcos Rafael, da Vara Estadual das Garantias, analisou o pedido e decidiu seguir o entendimento apresentado pela polícia.
Com isso, foi determinada a revogação das prisões de Alex Bastos Júnior e Matheus Brandão, e o alvará de soltura já foi expedido, permitindo que os dois deixem o presídio a qualquer momento após os procedimentos administrativos.
Como ocorreu o caso
Segundo o que consta no inquérito policial, o suposto estupro coletivo teria ocorrido no dia 13 do mês passado, no alojamento do clube, localizado na região do bairro São Francisco, em Rio Branco.
De acordo com o relato das vítimas às autoridades, elas teriam sido levadas ao local onde estavam hospedados jogadores do clube. Durante a investigação, a polícia realizou oitivas, analisou depoimentos e reuniu elementos para tentar esclarecer a dinâmica dos fatos e a eventual participação de cada um dos investigados.
Próximos passos
Com o encerramento do inquérito, o caso agora segue para análise do Ministério Público, que poderá:
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oferecer denúncia contra os investigados apontados no relatório policial;
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solicitar novas diligências;
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ou pedir o arquivamento em relação a alguns envolvidos.
A decisão final sobre eventual abertura de ação penal caberá à Justiça após a manifestação do Ministério Público.
Repercussão
O caso gerou grande repercussão no futebol local e nas redes sociais, principalmente por envolver atletas de um clube tradicional do estado. A investigação também reacendeu debates sobre violência contra a mulher e a responsabilidade de instituições esportivas na conduta de seus atletas.
Enquanto o processo avança para a fase judicial, o episódio continua sendo acompanhado de perto por autoridades, torcedores e organizações ligadas à defesa dos direitos das mulheres no Acre.
