Chuva de PIX: Chapa oficial transfere dinheiro e pede “apoio” a alunos às vésperas das eleições na UFAC; vejas os comprovantes
REDAÇÃO
às vésperas da eleição para a reitoria da Universidade Federal do Acre, uma série de comprovantes de transferências via PIX vazados à reportagem levanta suspeitas de compra de votos envolvendo integrantes de uma das chapas concorrentes. Os registros indicam que a candidata a vice-reitora, professora Almecinda Balbino Ferreira, realizou repasses financeiros diretamente a estudantes ao mesmo tempo em que solicitava apoio. De acordo com os prints analisados (confira acima), as transferências foram feitas para contas pessoais de alunos, sem qualquer indicação formal de vínculo com programas institucionais de assistência estudantil. Em uma das conversas, após efetuar um dos envios, a candidata afirma: “Só quero que você me ajude com os alunos de agronomia. Caso a gente ganhe, isso não precisa acontecer. Teremos editais para que todos tenham direitos iguais.” O processo eleitoral foi aberto no dia 30 de janeiro e, portanto, as eleições já estavam em curso quando os pagamentos foram feitos.
Em outro trecho, a professora reforça o caráter reservado das transações: “Vou enviar mais algum dinheiro, mas não divulgue, pois eu não tenho dinheiro.” Na sequência, uma estudante agradece o valor recebido, e a candidata complementa: “Meus amigos que estão ajudando.”
Além da candidata a vice, outros integrantes da chapa encabeçada pelo professor Carlos Paula de Moraes aparecem nos comprovantes como responsáveis por transferências em valores variados. Em uma das mensagens, Carlos solicita uma chave PIX e afirma que realizaria o pagamento no dia seguinte — o que, segundo os documentos, de fato ocorreu.
Procurada pela reportagem, Almecinda Balbino confirmou que realizou transferências para estudantes, mas negou qualquer irregularidade. Segundo ela, a prática não está relacionada ao processo eleitoral. “Sempre ajudei alunos que me procuram”, afirmou. Já o professor Carlos Paula não detalhou as circunstâncias dos repasses registrados em seu nome até o momento.
Não há, até agora, informações claras sobre as condições socioeconômicas dos estudantes beneficiados, nem se os valores repassados atendiam a critérios previamente estabelecidos. Especialistas em direito eleitoral e administração pública ouvidos pela reportagem apontam que, caso fique comprovada a vinculação entre os pagamentos e a solicitação de apoio político, a prática pode configurar abuso de poder econômico e captação ilícita de votos, ainda que em ambiente universitário.
O episódio lança dúvidas sobre a lisura do processo eleitoral interno e deve ampliar a pressão por apuração rigorosa por parte dos órgãos de controle e da própria comunidade acadêmica. Até o momento, a reitoria da UFAC, atualmente sob gestão da professora Guida Aquino, não se manifestou oficialmente sobre o caso. Mais cedo, Guida Aquino surgiu no Restaurante Universitário, pedindo votos ao professor Carlos, numa rara aparição naquele lugar.
A divulgação dos documentos intensifica o clima de tensão no campus e pode impactar diretamente o resultado da eleição, marcada por disputas acirradas e crescente mobilização entre estudantes, docentes e técnicos administrativos.
Abaixo, confira a reportagem-denúncia, divulgada por este portal pela manhã, sobre a farra de passagens e diárias no Campus da Ufac