Conservadores e liberais empatam nas eleições parlamentares na Eslovênia

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Conservadores e liberais empatam nas eleições parlamentares na Eslovênia

O SDS (Partido Democrático Esloveno), de tendência conservadora, e o GS (Movimento da Liberdade), de orientação liberal, empataram nas eleições parlamentares da Eslovênia no domingo (22), de acordo com resultados preliminares da comissão eleitoral do país, com base na maioria dos votos apurados.

Nenhum dos partidos — mesmo com seus atuais parceiros de coalizão — parecia ter chances de garantir os 46 assentos necessários para a maioria no parlamento de 90 cadeiras, tornando os partidos menores que ultrapassarem a faixa de 4% potenciais formadores de governo.

Com base em 99,45% das cédulas apuradas, o GS conquistou 29 assentos, seguido de perto pelo SDS, com 28 assentos. Juntamente com os partidos aliados, o GS, liderado pelo atual primeiro-ministro Robert Golob, teria 40 deputados, enquanto o SDS, liderado pelo populista ex-primeiro-ministro Janez Jansa, teria 43 assentos.

“Todos nós depositamos nossa confiança em um partido, independentemente do que acreditamos”, disse Golob a seus apoiadores após os resultados preliminares mostrarem a liderança do GS. “Todos merecemos um futuro, e estou aqui neste momento para dizer que, com este mandato, faremos tudo para tornar esse futuro melhor para todos os nossos cidadãos.”

Jansa, que concorria a um quarto mandato como premier, acusou a comissão eleitoral de manipular a contagem, dizendo que sua equipe de monitoramento percebeu uma discrepância de 50 mil votos para o SDS.

“Faço um apelo aos responsáveis da comissão eleitoral nacional, àqueles que gerenciam o programa de computador, para que entendam que recontarei cada voto de todas as seções eleitorais se nos organizarmos adequadamente”, disse ele a uma televisão local.

O analista político Aljaž Pengov Bitenc duvida que seja possível formar um governo estável, mas acredita que Golob está em melhor posição do que Jansa para negociar com partidos de um espectro mais amplo.

“Espero uma negociação de coalizão muito longa, porque definir as prioridades será uma tarefa difícil pela frente e exigirá uma enorme quantidade de paciência política, sabedoria e experiência”, afirmou.

Decidindo o futuro da Eslovênia

Ambos os lados afirmaram que as eleições definiriam o caminho futuro da Eslovênia. Sob Robert Golob, o país seguiu uma democracia liberal e pró-europeia, focada em reformas sociais, enquanto Jansa deseja implementar cortes de impostos para empresas e reduzir o financiamento para ONGs, assistência social e mídia.

Golob alinhou a política externa da Eslovênia com países europeus que apoiam um Estado palestino independente, enquanto Jansa, aliado do primeiro-ministro nacionalista húngaro Viktor Orbán e apoiador do presidente dos EUA, Donald Trump, buscaria mudar o alinhamento internacional do país.

A campanha eleitoral esquentou neste mês quando vídeos secretos foram publicados em um site anônimo, supostamente expondo corrupção no governo.

Um relatório desta semana alegou que Jansa se reuniu com oficiais da empresa privada de espionagem israelense Black Cube, que, segundo o LinkedIn em 2023, estaria por trás de uma campanha com câmeras escondidas direcionada a ativistas e jornalistas antes das eleições na Hungria em 2022.