Um levantamento sobre a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) nas últimas três décadas colocou o Acre entre os estados brasileiros que mais expandiram sua economia desde a década de 1990. De acordo com o estudo “Crescimento Econômico Real nos Estados do Brasil (1995–2025)”, divulgado pela plataforma O Brasil em Mapas, o estado registrou aumento acumulado de 327% no PIB real, ocupando a décima posição no ranking nacional.
O estudo analisa três décadas de transformações econômicas no país — desde a implementação do Plano Real até os impactos recentes da economia pós-pandemia. No mesmo período, o PIB brasileiro cresceu 222%, evidenciando diferenças regionais no ritmo de desenvolvimento.
Segundo o levantamento, as regiões Centro-Oeste (408%) e Norte (354%) lideraram a expansão econômica, impulsionadas principalmente pela ampliação da fronteira agrícola e pelo crescimento do agronegócio.
Para o governador do estado, Gladson Cameli, o desempenho reflete políticas implementadas nos últimos anos para estimular investimentos, geração de empregos e fortalecimento das cadeias produtivas locais.
“A nossa economia vem crescendo gradativamente. Temos gerado emprego e renda e investimos naquilo que tem dado retorno: as pessoas. Com a colaboração de cada acreano e acreana, conseguimos chegar a esse resultado expressivo, colocando o nosso estado em destaque”, afirmou.
Exportações batem recorde histórico
O desempenho econômico também é impulsionado pelo avanço do comércio exterior. Em 2025, o Acre registrou US$ 98,9 milhões em exportações, o maior volume já alcançado pelo estado. O valor representa crescimento de 13% em relação ao ano anterior.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a balança comercial acreana encerrou o ano com superávit de US$ 93,7 milhões, o melhor resultado desde 2015.
O secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia, Assurbanípal Mesquita, atribui o avanço à ampliação da presença de produtos acreanos em mercados internacionais, especialmente no setor de proteína animal.
Nos últimos dois anos, as exportações de carne bovina e carne suína ganharam protagonismo, representando 27,9% e 16,8% das vendas externas, respectivamente. Outro destaque é a soja, cuja exportação cresceu mais de 200% no período.
Segundo o secretário, a abertura do mercado peruano para a proteína animal produzida no estado impulsionou a expansão do setor.
“Com a entrada da proteína animal no mercado peruano, já tínhamos a perspectiva de ampliar as exportações. Isso vem acontecendo ano após ano graças aos incentivos fiscais do governo e aos investimentos das empresas do setor”, destacou.
Certificação sanitária ampliou mercados
Um marco importante para o crescimento das exportações foi o reconhecimento do estado como zona livre de febre aftosa sem vacinação, obtido em 2021 pela Organização Mundial de Saúde Animal.
A certificação ampliou o acesso da carne produzida no Acre a mercados internacionais e fortaleceu a cadeia produtiva da proteína animal.
A qualidade sanitária da produção tem atraído interesse de compradores estrangeiros, e o governo estadual trabalha para consolidar novos acordos comerciais com países como Chile e Malásia.
Estratégia mira comércio internacional
Além da expansão do agronegócio, a estratégia de desenvolvimento econômico do estado inclui fortalecer sua posição geopolítica como corredor de integração entre o Brasil e mercados do Pacífico.
Segundo Mesquita, a política de atração de investimentos envolve a reativação de uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE), com capacidade para abrigar mais de cem indústrias. Missões comerciais já foram realizadas em países como Rússia, Peru e Bolívia para captar novos negócios.
Outro foco é ampliar a cultura de comércio exterior entre empresários locais, incentivando empresas a importar insumos e exportar produtos para novos mercados.
De acordo com o secretário, o crescimento das exportações gera efeitos diretos em toda a cadeia produtiva, estimulando a agricultura, a pecuária e a indústria.
“A indústria de proteína animal impulsiona a produção agrícola e gera renda para produtores de soja, milho, frutas e criadores familiares. O fortalecimento das exportações amplia as oportunidades de emprego e renda no estado”, afirmou.