Debandada no Solidariedade: 18 presidentes deixam o partido após “traição” de Eduardo Velloso e saem em apoio a Afonso Fernandes

A reconfiguração interna do partido Solidariedade (SD) no Acre ganhou novos contornos nesta terça-feira, 17, após a desfiliação do deputado estadual Afonso Fernandes (veja nota abaixo). O movimento ocorre na esteira da aclamação do deputado federal Eduardo Velloso como presidente da federação partidária.

Velloso, que deixou o União Brasil dias atrás, é apontado como responsável por uma trama desonesta em consonância com o deputado Paulinho da Força, que preside o SD nacional. Aquele que chegaria para “somar” tomou a federação de assalto, acreditam alguns analistas políticos, no calor do embate pessoal dele com o senador Márcio Bittar. Veloso é suplente de Bittar e pré-candidato a senador também.

Aliados destacam que a trajetória do Fernandes à frente do partido foi marcada por lealdade, dedicação e forte presença política, características que consolidaram sua liderança ao longo desse período. Com sua desfiliação, presidentes municipais da legenda já articulam um movimento de debandada coletiva. Segundo apurações, dirigentes do interior devem acompanhar o deputado, em um gesto de alinhamento político e também de reconhecimento à sua atuação na consolidação do partido em municípios estratégicos.

Afonso recebeu Solidariedade com pouco mais de 1800 filiados. Hoje já são quase 5 mil. Depois do ocorrido muitos já se desfiliaram. Com a renúncia do deputado da presidência estadual, todos os outros 18 presidentes de executivas municipais pediram suas renuncias também, apontando uma ruptura com o projeto político que vinha sendo desenvolvido nos últimos anos..

Mesmo deixando a presidência e a filiação partidária, Afonso Fernandes reafirma que continuará atuando na vida pública com o mesmo compromisso que marcou sua caminhada até aqui, defendendo os interesses da população e contribuindo para o desenvolvimento do Acre.

Nos bastidores, a saída de Afonso Fernandes é interpretada como um divisor de águas dentro do Solidariedade no estado. Considerado um dos principais responsáveis pela expansão da sigla no interior, o parlamentar construiu uma base política sólida ao atrair lideranças locais e fortalecer diretórios municipais, ampliando a capilaridade do partido em diversas regiões do Acre.

A crise evidencia um cenário de fragmentação interna e levanta dúvidas sobre a capacidade de reorganização do Solidariedade no Acre a curto prazo. Analistas políticos avaliam que o esvaziamento da legenda pode impactar diretamente sua competitividade nas próximas eleições, sobretudo em municípios onde a presença partidária foi construída sob a liderança de Afonso Fernandes.

Enquanto isso, aliados de Eduardo Velloso defendem que a nova configuração partidária, com a federação envolvendo o PRB, abre espaço para uma reestruturação estratégica, ainda que sob forte resistência de parte da militância.

O desfecho do movimento deve redefinir o mapa político local, com possíveis reflexos não apenas no Solidariedade, mas também em outras siglas que podem absorver os quadros em saída.