‘Dentadura’ de tubarão: cientistas brasileiros estudam dentes do animal

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‘Dentadura’ de tubarão: cientistas brasileiros estudam dentes do animal

Um grupo de cientista passaram os últimos meses coletando, armazenando e preparando arcada dentárias de raias e tubarões. A ideia é utilizar o material para educação e divulgação científica, permitindo apresentar ao público a diversidade da dentição dessas espécies. 

O modelo da ‘dentadura’ dos animais é organizado pelo Programa de Recuperação da Biodiversidade Marinha (REBIMAR) e o projeto One (Blue) Health, ambos executados pela Associação MarBrasil.

Além da dentição, também foram preparados e preservados ferrões de diferentes espécies de raias. “Esses ferrões serão empregados em ações de educação ambiental, com o objetivo de esclarecer o público sobre a função biológica dessas estruturas, desmistificar riscos e promover uma abordagem informativa e responsável sobre a interação entre humanos e elasmobrânquios”, diz Eloisa Giareta, veterinária de equipe.

Tubarões são monitorados via satélite no litoral do RJ

O grupo divulgou que as arcadas apresentaram características curiosas, algumas possuem dentes afiados, outras arredondados, além de arcadas de diferentes tamanhos. 

A equipe dissecou e preparou arcadas dentárias de diversos elasmobrânquios, grupo de peixes cartilaginosos que inclui raias e tubarões. 


• Divulgação

Ao todo, em dezembro de 2025, foram preparadas 21 arcadas dentárias. Entre as espécies estão o tubarão-martelo, duas espécies de raia-emplastro, raia-viola, raia-chicote, tubarão-figo-branco, tubarão-mako (também conhecido como tubarão-anequim), raia-chita e cação-bruxa. 

Após a dissecação, as arcadas dentárias são imersas em formol por duas horas e, em seguida, passam por um processo de secagem natural, que pode se estender por cerca de um mês. 

Concluída essa etapa, as peças recebem acabamento manual, com lixamento e ajustes delicados, garantindo melhor definição, conservação e apresentação das arcadas para uso em atividades educativas e expositivas. 

Os pesquisadores ressaltam que nenhum animal foi morto para a pesquisa. Todo o material biológico utilizado vem de animais capturados de forma incidental e retirados de redes já sem vida pelos pescadores, que também fazem parte do projeto e priorizam a devolução ao mar de todos os animais capturados com vida.

 

*Sob supervisão de Thiago Félix