O Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, abre o calendário de datas estratégicas para o setor brasileiro de flores e plantas ornamentais em 2026. A expectativa do mercado é de crescimento entre 5% e 6% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado, impulsionado pela ampliação dos canais de venda e pela maior disponibilidade de produtos.
As projeções são de representantes do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), entidade que reúne lideranças da cadeia produtiva e que recentemente discutiu as perspectivas do mercado para o ano.
Neste ano, a data cai em um domingo, o que tende a estender as comemorações ao longo de toda a semana. Muitas empresas costumam antecipar ou adiar as homenagens, distribuindo flores às funcionárias nos dias úteis próximos à data. Esse movimento foi sendo percebido ao longo das últimas semanas no atacado, com aumento nas encomendas feitas por empresas e varejistas para abastecer o mercado.
“Os primeiros meses do ano já mostraram desempenho acima das expectativas”, avalia Renato Opitz, diretor do Ibraflor. Segundo ele, janeiro e fevereiro registraram vendas acima da média tanto no segmento de flores de corte, utilizadas em eventos e celebrações, quanto de plantas ornamentais e flores em vaso, que vêm sendo cada vez mais incorporadas ao cotidiano do brasileiro.
Entre os produtos mais procurados para a data destacam-se as rosas e orquídeas. O executivo aponta como tendência o aumento da procura por plantas ornamentais cultivadas em vaso, que têm sido cada vez mais escolhidas como presentes duradouros.
Nos últimos anos, mudanças no comportamento do consumidor também influenciaram o perfil das compras. Durante a pandemia, a demanda por plantas menores — adequadas a apartamentos e ambientes internos — cresceu significativamente.
Mais recentemente, o setor observa a volta da procura por plantas maiores e vasos mais robustos, destinados à decoração de salas, varandas e jardins de inverno, refletindo uma valorização maior do paisagismo doméstico.
Outro fator que tem contribuído para a expansão do consumo é a diversificação dos canais de comercialização. Além das tradicionais floriculturas e garden centers, supermercados e plataformas de comércio eletrônico passaram a desempenhar papel importante na distribuição de flores e plantas, ampliando o acesso do consumidor a esses produtos.
Mão de obra feminina
O Dia Internacional da Mulher também tem um significado especial para o próprio setor de flores. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), indica que 57% da mão de obra da cadeia é feminina.
A presença das mulheres é predominante em diferentes etapas do setor, da produção à comercialização. A característica delicada das flores exige cuidado no manuseio e atenção aos detalhes, fatores que ajudam a explicar a forte participação feminina nas atividades.
O setor de flores e plantas ornamentais iniciou 2026 com desempenho positivo e perspectivas de expansão ao longo do ano. Mesmo em um cenário considerado atípico — com eleições e a realização da Copa do Mundo — o mercado segue sustentado pelo aumento do consumo doméstico e pelos avanços logísticos da cadeia.
Mais de 95% da produção brasileira é destinada ao mercado interno, e a atividade envolve cerca de mil produtores profissionais, além de centenas de distribuidores e mais de 20 mil pontos de venda no varejo.
A produção está concentrada principalmente nos estados de São Paulo e Minas Gerais, que respondem por mais de 70% da produção nacional.
Para 2026, a expectativa do setor é de crescimento entre 7% e 8%. “Este desempenho se deve à melhoria na logística, redução de perdas na cadeia e ao aumento da presença das flores no cotidiano dos consumidores.