As operadoras de saúde enfrentam uma crescente pressão com a alta dos custos médicos e hospitalares no país.
O envelhecimento da carteira de clientes e a inflação do setor desafiam a sustentabilidade do mercado de saúde suplementar, exigindo estratégias inovadoras para equilibrar a qualidade do atendimento e os custos operacionais.
Em entrevista, Douglas Figueredo, da Geap Saúde, compartilhou a experiência da operadora que atende principalmente servidores públicos.
Segundo ele, ao assumir a gestão em 2013, a empresa enfrentava um grande desafio: 60% dos beneficiários tinham mais de 59 anos de idade, o que naturalmente eleva os custos assistenciais.
Estratégia focada na prevenção
Para Figueredo, o segredo para equilibrar as contas está na gestão estratégica com foco na prevenção.
“O que garante o alto custo, a elevação do custo e que impacta na resultante final da saúde suplementar é a falta das duas assistências, a primária e a secundária”, explicou.
Ele destaca que a empresa investiu em atenção primária, com 50 mil beneficiários no atendimento digital e outros 40 mil no presencial.
“Nós precisamos repassar o mínimo possível para o beneficiário-cliente e empreender ao máximo a gestão estratégica”, afirmou Figueredo.
Judicialização e atendimento humanizado
Outro desafio enfrentado pelo setor é a judicialização da saúde. Figueredo revelou que a Geap adotou uma abordagem diferenciada, com atendimento rápido e humanizado por equipe própria, treinada para lidar com as demandas.
“Nós temos um espaço muito importante do nosso jurídico e também da nossa central de atendimento, que são funcionários próprios, treinados, capacitados para recepcionar a demanda”, destacou.
A operadora também oferece alguns serviços que não estão no rol obrigatório da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), como o exame Oncotype e a vacina para HPV, o que ajuda a reduzir a pressão judicial.
“Quando você oferta, você reduz a entrada judicial e ao mesmo tempo trabalha com a prevenção”, explicou Figueredo, ressaltando que o servidor público é um cliente exigente que conhece todos os protocolos jurídicos.
O diretor da Geap destacou ainda que, diferentemente de outros países como Portugal, onde há clara separação entre saúde suplementar e setor privado, o Brasil precisa desenvolver estratégias específicas para seu contexto.
A opção por manter um corpo jurídico próprio, não terceirizado, foi uma das decisões que contribuíram para o equilíbrio da operadora, permitindo um atendimento mais humanizado que “distensiona a relação” com os beneficiários.
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