
Um trator pertencente à Prefeitura de Acrelândia — adquirido com recursos públicos e utilizado oficialmente pela Secretaria Municipal de Agricultura — aparece arrastando estacas já beneficiadas que, segundo moradores da região, teriam sido serradas clandestinamente dentro de uma propriedade rural.
As espécies identificadas nas imagens seriam maçaranduba e tamarina, consideradas madeiras nobres no Brasil. Ambas possuem alto valor comercial devido à durabilidade, resistência e beleza estética, características que fazem com que sua exploração dependa de autorização e manejo florestal devidamente aprovado pelos órgãos ambientais — procedimento que, segundo relatos locais, não teria ocorrido neste caso.
Além do trator da prefeitura realizando o arraste da madeira, outro detalhe chamou a atenção de quem registrou as imagens. Um Fiat Uno, que segundo moradores pertence a Marcelo Roseno, aparece acompanhando o deslocamento do carregamento. Noutra imagem, se vê o descarregando das estacas já beneficiadas — madeira que aparentemente teria passado por processo de corte e preparação para revenda.
A suspeita levantada por produtores rurais é de que máquinas públicas estariam sendo utilizadas para beneficiar uma propriedade privada, além da possibilidade de exploração irregular de madeira nobre, prática que configura crime ambiental quando realizada sem autorização.
O caso ganha contornos políticos porque a gestão atual é uma das principais aliadas no Acre do senador Alan Rick, do Republicanos, que também é citado por opositores locais devido ao silêncio público sobre o episódio.
Até o momento, não houve manifestação oficial do secretário nem dos envolvidos sobre as imagens que circulam entre produtores rurais da região. Um grupo de opositores deve pedir providências na Câmara Municipal, acionando órgãos fiscalizadores e o Ministério Público. Um dos parlamentares ouvidos pela reportagem garante que há testemunhas do crime dispostos a falar.
Moradores do assentamento afirmam que a exploração de madeira nobre sem controle ambiental, além de crime, cria um precedente perigoso dentro de áreas de assentamento rural, onde a retirada de recursos florestais deveria obedecer a critérios rígidos de manejo sustentável e autorização dos órgãos competentes.
A expectativa agora é que órgãos ambientais e de controle investiguem as circunstâncias do corte das árvores, a origem da madeira e o uso de maquinário público na operação.
Roseno não foi localizado para comentar esta denúncia. O filho do vereador também não foi encontrado. O espaço está aberto aos esclarecimentos.
Nota:
O assentamento em questão depende de regularização pelos órgãos competentes.