O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passa a cumprir uma rotina rigorosa após ser transferido para a Penitenciária Federal de Brasília, uma das cinco unidades de segurança máxima do Brasil. “Não tem direito a visita íntima e tem um dia por semana para jogar com uma bola de borracha”, explicou Caio Junqueira, no CNN Prime Time.
Segundo a apuração, a cela onde Vorcaro está detido possui apenas 9 metros quadrados e contém um dormitório, sanitário, pia, chuveiro, mesa e assento. O banho é permitido apenas em horário predeterminado, quando o chuveiro é ligado, sendo esta a única oportunidade para higiene pessoal durante o dia. As refeições são entregues através de uma pequena porta e as bandejas são posteriormente recolhidas e inspecionadas.
O presídio federal impõe severas restrições aos detentos. Não há televisão disponível diariamente, apenas nos finais de semana com programação gravada. O acesso a jornais também é vetado. Todo o ambiente é monitorado com áudio e vídeo em tempo real, 24 horas por dia. O sinal de telefonia celular é completamente bloqueado e o espaço aéreo sobre a unidade é fechado. A penitenciária conta ainda com scanner de subsolo para evitar tentativas de fuga por túneis.
Entre as poucas atividades permitidas estão duas horas diárias de banho de sol e um dia por semana para jogar futebol com uma bola de borracha. Durante os deslocamentos internos, os presos são sempre algemados e devem seguir por faixas amarelas demarcadas no chão. Itens como cigarro, chocolate, álcool e refrigerante são proibidos. O atendimento médico ocorre exclusivamente dentro da unidade, que dispõe de ambulatório e serviço odontológico para evitar saídas externas.
O presídio foi inaugurado em 2018, está situado próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda e possui 12 mil metros quadrados de área construída, com monitoramento ininterrupto por agentes penitenciários e um sistema de câmeras que captam imagem e som.
A Penitenciária Federal de Brasília abriga criminosos de alto risco, incluindo líderes de organizações criminosas, réus colaboradores e delatores premiados que correm risco de vida no sistema prisional dos estados. Vorcaro foi preso após o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), entender que ele estaria coagindo testemunhas, ocultando patrimônio e continuando atividades delitivas mesmo sob investigação.
Especialistas apontam que o rigoroso regime prisional imposto a pessoas acostumadas a uma vida de luxo, como é o caso do banqueiro, frequentemente aumenta as chances de colaboração premiada. Embora não seja o objetivo declarado da prisão, este é considerado um potencial efeito paralelo que pode auxiliar no processo investigativo.