Homônimo é confundido com suspeito de estupro coletivo no Rio

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Homônimo é confundido com suspeito de estupro coletivo no Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga um caso de estupro coletivo contra uma garota de 17 anos, em Copacabana, ocorrido no dia 31 de janeiro. Porém, por ter o nome quase igual ao de um dos alvos da polícia, João Gabriel Bertho, ex-atleta de remo do Clube Flamengo, foi confundido e passou a receber ameaças de morte nas redes sociais.

O verdadeiro investigado pelo caso é João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos.

A confusão por conta da semelhança nominal fez com que o jovem afetado fosse até as plataformas digitais explicar a situação.

Tem gente que ‘tá’ pesquisando o nome do ‘moleque’ no Instagram e ‘tá’ achando o meu. Não sou eu. Vim na delegacia justamente para ver se precisavam de alguma coisa e não sou culpado de nada. É isso.


João Gabriel Bertho, ex-atleta de remo

Veja vídeo na íntegra:

A mãe de João Gabriel também se posicionou diante do ocorrido e disse estar “exausta” com a situação e que “nada paga pela vida do filho”. 

O jovem ainda publicou agrecimentos aos que o ajudaram e pediu justiça. “Desde já agradeço a ajuda de amigos e de estranhos que se solidarizaram, me aconselharam e estão me apoiando. Nada seria possível sem vocês! Que os culpados por esse crime horrível paguem pelo que fizeram! E que Deus ilumine essa menina lhe dando muita força”, escreveu João Gabriel.

A família esteve na 12ª DP (Copacabana) para registrar o caso.

A defesa de João Gabriel também se manifestou nas redes sociais e disse que “todas as páginas, perfis ou veículos que estiverem publicando ou mantendo conteúdo que associe indevidamente o nome de João Gabriel Bertho ao referido caso serão formalmente notificados, sendo adotadas as medidas judiciais cabíveis para responsabilização nas esferas civel e criminal.”

Veja a nota na íntegra:

“A defesa técnica de João Gabriel Bertho, 21 anos, vem a público esclarecer a indevida vinculação de seu nome a um suposto caso de est pro coletivo ocorrido em 31 de janeiro, no bairro de Copacabana.

Esclarece-se, de forma categórica, que nosso cliente não possui qualquer envolvimento com os fatos investigados, sendo vítima de equívoco decorrente de semelhança nominal. O indivíduo procurado pelas autoridades trata-se de João Gabriel Xavier Bertho, 19 anos, pessoa diversa e sem qualquer relação com nosso assistido.

Na data dos fatos, nosso cliente encontrava-se em uma festa com amigos, circunstância que pode ser devidamente comprovada. Ontem o mesmo, compareceu espontaneamente à 12º Delegacia de Polícia de Copacabana, acompanhado de sua genitora, colocando-se à disposição da autoridade policial para prestar esclarecimentos.

Ressalta-se que o telejornal RJ2, da TV Globo, já realizou a correção quanto ao nome do real suspeito. Ainda assim, algumas páginas e perfis seguem divulgando informações incorretas.

Diante disso, a defesa informa que todas as páginas, perfis ou veículos que estiverem publicando ou mantendo conteúdo que associe indevidamente o nome de João Gabriel Bertho ao referido caso serão formalmente notificados, sendo adotadas as medidas judiciais cabíveis para responsabilização nas esferas cível e criminal.

A honra e a imagem de João Gabriel Bertho serão resguardadas por todos os meios legais cabíveis.”

Entenda o caso

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro investiga um caso de estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, ocorrido na noite de 31 de janeiro, em Copacabana, na zona Sul do Rio de Janeiro. Os envolvidos no crime são estudantes do Colégio Pedro II, e um deles seria ex-namorado da vítima.

O Disque Denúncia divulgou, neste domingo (1º), um cartaz para ajudar na localização de quatro jovens considerados foragidos: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, 18 anos; Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18; Mattheus Verissimo Zoel Martins, 19; e João Gabriel Xavier Bertho, 19. Um adolescente de 17 anos também é investigado, com identidade preservada.  A CNN Brasil tenta contato com a defesa dos citados e com a assessoria de imprensa da unidade de educação.

De acordo com o delegado titular da unidade, Ângelo Lages, o caso foi tratado como uma “emboscada planejada”.

“Foi uma emboscada planejada, onde a vítima foi enganada por meio de um convite simulado feito por um dos agressores, que já havia se relacionado com ela e estuda no mesmo colégio. A partir dessa relação de confiança, ela foi até o imóvel para se encontrar com ele. No entanto, o quarto foi invadido por outros quatro adultos, que praticaram violência sexual, agressões físicas e violência psicológica”, afirmou o delegado.

Mensagens por um aplicativo revelaram conversas entre a menina e o outro adolescente, e foram anexadas ao inquérito. Ele a convida para ir ao endereço e diz que poderia ir acompanhada de uma amiga, mas a jovem responde que não teria quem convidar, e ele afirma que não haveria problema em ela ir sozinha. Logo após eles combinam o encontro e o horário de chegada.

Câmeras de segurança do prédio registraram movimentação dos jovens


Câmeras de segurança do prédio registraram o momento da chegada e saída dos jovens ao prédio. • Reprodução

Imagens de câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao imóvel, na rua Ministro Viveiros de Castro, além da entrada e posterior saída da adolescente acompanhada pelo menor. As gravações também mostram a saída dos demais investigados em horários próximos ao momento do crime.

De acordo com o relatório policial, após acompanhar a vítima até a saída do edifício, o adolescente retorna ao apartamento e faz gestos que foram interpretados pelos investigadores como de comemoração.

Após o ocorrido, a adolescente procurou a delegacia para registrar a denúncia. O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física. Foram descritas manchas nas regiões dorsal e glútea. Materiais biológicos foram coletados para exames genéticos e análise de DNA. A perícia identificou infiltrado hemorrágico e escoriações na região genital.

Clube de futebol afastou jovem investigado pelo crime

Um dos investigados atua como atleta. Após a repercussão do caso, o Serrano Football Club informou, em nota oficial, que tomou conhecimento do indiciamento de João Gabriel Xavier Bertho na apuração conduzida pela Polícia Civil. Em razão da gravidade dos fatos investigados, o clube comunicou o afastamento imediato do jogador e a suspensão do contrato. A instituição declarou ainda que repudia qualquer forma de assédio ou violência.

Polícia faz operação para prender os agressores

Os quatro investigados foram indiciados por estupro com concurso de pessoas. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ofereceu denúncia, e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro expediu mandados de prisão preventiva pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes.

No sábado (27), a Polícia Civil realizou a operação “Não é Não” para cumprir os mandados, mas os suspeitos não foram localizados. No caso do adolescente, foi expedido mandado de busca e apreensão, e a apuração ficará a cargo da Vara da Infância e da Adolescência.

Informações sobre o paradeiro dos investigados podem ser repassadas ao Disque Denúncia pelos telefones (21) 2253-1177 ou 0300-253-1177, pelo WhatsApp (21) 2253-1177 ou pelo aplicativo Disque Denúncia RJ. O anonimato é garantido.