Irregulares, vírgula: Gladson e Mailza Assis fazem história ao corrigir injustiça ignorada por décadas e garantem dignidade a servidores no Acre

O governo de Gladson Cameli decidiu enfrentar um dos temas mais espinhosos da administração pública acreana — e, ao fazê-lo, expôs uma ferida que permaneceu aberta por décadas, inclusive durante os longos anos de domínio do Partido dos Trabalhadores no estado.

A correção da distorção que atingia cerca de 1,9 mil servidores classificados como “irregulares” não é apenas um ato administrativo. Trata-se de uma decisão política com peso histórico. Por mais de dez anos, esses trabalhadores viveram à margem da segurança jurídica, impedidos de avançar na carreira, mesmo prestando serviços contínuos ao Estado. Foram, na prática, invisibilizados por um sistema que preferiu a omissão ao enfrentamento.

O que chama atenção é que esse impasse atravessou gestões e resistiu ao tempo — inclusive durante duas décadas em que o Acre esteve sob governos petistas, período marcado por forte discurso em defesa do funcionalismo público. Ainda assim, não houve solução concreta para o problema. Faltou coragem política, sobrou conveniência institucional.

Ao provocar a revisão do entendimento jurídico junto à Procuradoria-Geral do Estado e à Secretaria de Administração, com apoio direto da vice-governadora Mailza Assis, o atual governo rompeu esse ciclo de inércia. Mais do que reconhecer direitos, a medida resgata a dignidade de profissionais que sustentaram a máquina pública mesmo sob incertezas.

É preciso destacar: não se trata de flexibilizar a lei, mas de interpretá-la à luz da realidade consolidada. O Estado não pode se beneficiar do trabalho de servidores por anos e, ao mesmo tempo, negar-lhes o direito à progressão funcional. A decisão corrige esse paradoxo.

Há, evidentemente, espaço para críticas e questionamentos jurídicos — como em toda medida que envolve regularização funcional. No entanto, o avanço está justamente em enfrentar o problema, e não empurrá-lo para o futuro, como foi feito por tanto tempo.

Ao resolver um passivo histórico que atravessou governos, Gladson Cameli imprime uma marca de pragmatismo e decisão. Num cenário político em que muitos preferem evitar temas complexos, a iniciativa revela uma escolha clara: governar também é resolver o que outros deixaram para trás.

E, neste caso, o Acre assiste a uma rara convergência entre justiça administrativa e vontade política — algo que, por anos, parecia fora de alcance.