A Isa Energia entrou em uma fase de ajuste após um ciclo recente de crescimento acelerado, marcado pela conquista de novos projetos de transmissão e aumento relevante do volume de investimentos. Em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN Infra, o CEO da companhia, Rui Chammas, afirmou que a empresa agora prioriza a desalavancagem e a gestão do portfólio, sem abrir mão da expansão.
Segundo o executivo, desde 2020 a estratégia da companhia tem sido ampliar sua presença no setor por meio da aquisição de novas concessões, ao mesmo tempo em que mantém investimentos relevantes em ativos já existentes, especialmente no estado de São Paulo.
“O que a gente vem fazendo desde 2020 é acelerar um plano na gestão do portfólio de ativos para trazer mais concessões para a companhia ao mesmo tempo que investimos na concessão paulista”, disse Chammas.
Esse movimento, no entanto, teve impacto direto na estrutura de capital. A alavancagem da empresa, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, atingiu 3,6 vezes no quarto trimestre de 2025, patamar considerado um pouco elevado para o setor.
Chammas destacou que a companhia não pretende sustentar o crescimento à custa de aumento excessivo do endividamento. “Nós não vamos sobreendividar a companhia para crescer”, afirmou. Segundo ele, o plano agora é reduzir gradualmente a alavancagem ao longo dos próximos anos, apoiado principalmente na geração de caixa dos projetos já contratados.
Uma das ferramentas para isso será a política de remuneração aos acionistas. A empresa pretende distribuir 75% do lucro líquido regulatório em dividendos, o que, segundo o CEO, contribui para equilibrar retorno ao investidor e disciplina financeira.
O aumento recente da alavancagem está diretamente ligado ao ciclo de expansão vivido pela companhia. Em 2022 e 2023, a Isa Energia arrematou novos lotes em leilões de transmissão, o que gerou uma necessidade de cerca de R$ 10 bilhões em investimentos (capex). Esse volume expressivo de compromissos ainda está em fase de execução.
Diante desse cenário, a participação da empresa em novos leilões de transmissão permanece em aberto. A decisão dependerá da evolução dos indicadores financeiros e da capacidade de absorver novos projetos sem comprometer a estrutura de capital.