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Maduro volta a tribunal: operação que prendeu o ditador foi legal?

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Maduro volta a tribunal: operação que prendeu o ditador foi legal?

O ditador Venezuelano Nicolás Maduro, capturado e preso pelos EUA em uma operação militar na madrugada de 3 de janeiro, deve comparecer com sua esposa, Cilia Flores, à segunda audiência do processo que enfrentam no país, nesta quinta-feira (26).

Em meio à audiência, especialistas analisam a legalidade da operação dos Estados Unidos no território venezuelano.

O que aconteceu?

Em 3 de janeiro, as forças americanas atacaram a Venezuela e prenderam Maduro, amplamente condenado como um líder ilegítimo, e sua esposa, Cilia Flores.

Trump vinha pressionando Maduro a ceder o poder e o acusou de apoiar cartéis de drogas que Washington designou como grupos terroristas, alegando que eles eram responsáveis ​​por milhares de mortes nos EUA ligadas ao uso de drogas ilegais.

Desde setembro de 2025, as forças americanas mataram mais de 100 pessoas em pelo menos 30 ataques a supostos barcos de narcotráfico da Venezuela no Caribe e no Pacífico, o que, segundo especialistas jurídicos, provavelmente violou as leis americanas e internacionais.

Justificativa dos EUA

As autoridades americanas afirmaram que o Departamento de Justiça solicitou assistência militar para prender Maduro, que havia sido indiciado por um júri de Nova York juntamente com sua esposa, filho, dois líderes políticos e um suposto líder de uma organização criminosa internacional.

Eles foram acusados ​​de crimes relacionados a terrorismo, drogas e porte de armas.

A procuradora-geral Pam Bondi declarou nas redes sociais que os réus “em breve enfrentarão toda a fúria da justiça americana em solo americano, em tribunais americanos”.

No entanto, em uma coletiva de imprensa, Trump culpou a Venezuela por roubar os interesses petrolíferos dos EUA e disse que Washington os recuperaria e planejava governar a Venezuela por um período, sem oferecer detalhes.

Especialistas em direito internacional afirmaram que o governo Trump confundiu as questões legais ao alegar que a operação era tanto uma missão policial direcionada quanto o possível prelúdio para o controle de longo prazo da Venezuela pelos EUA.

O que diz a lei?

O Congresso dos EUA tem o poder de declarar guerra, mas o presidente é o comandante-em-chefe, e líderes de ambos os partidos justificaram a realização de ações militares quando estas eram limitadas em escopo e de interesse nacional.

A chefe de gabinete de Trump, Susie Wiles, disse à revista Vanity Fair, em entrevista publicada no final do ano passado, que se Trump autorizasse “alguma atividade em terra” na Venezuela, precisaria da aprovação do Congresso.

O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o Congresso não foi notificado antes da operação.

O direito internacional proíbe o uso da força nas relações internacionais, exceto em casos específicos, como autorização do Conselho de Segurança da ONU ou em legítima defesa.

O tráfico de drogas e a violência de gangues são considerados atividades criminosas e não se enquadram no padrão internacional aceito de um conflito armado que justificaria uma resposta militar, segundo especialistas jurídicos.

Os EUA não reconhecem Maduro como o líder legítimo da Venezuela desde 2019, após uma eleição que os EUA consideraram fraudulenta.

Existem precedentes?

Os Estados Unidos capturaram suspeitos de crimes em países estrangeiros, incluindo a Líbia, mas buscaram o consentimento das autoridades locais.

Embora o governo americano descreva Maduro como um líder ilegítimo, Washington não reconheceu nenhum outro líder venezuelano que pudesse ter autorizado a captura de Maduro.

Em 1989, os EUA prenderam o General Manuel Noriega, então líder do Panamá, em circunstâncias semelhantes. Noriega havia sido indiciado por acusações relacionadas a drogas e Washington afirmou estar agindo para proteger cidadãos americanos depois que forças panamenhas mataram um soldado americano.

Os Estados Unidos também alegaram que Noriega era um líder ilegítimo e reconheceram como líder do país o candidato que Noriega afirmava ter derrotado em uma eleição recente.

O ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, foi extraditado para os Estados Unidos em 2022 e posteriormente condenado por acusações relacionadas a drogas, sendo sentenciado a 45 anos de prisão. Trump concedeu indulto a Hernández em dezembro.

Especialistas jurídicos se mostraram céticos quanto à possibilidade de os Estados Unidos enfrentarem qualquer responsabilização significativa por suas ações na Venezuela, mesmo que fossem ilegais, dada a falta de mecanismos de aplicação no direito internacional.

Por que o ataque dos EUA à Venezuela relembra ação no Panamá

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