Mansão da Rua Copaíba: o luxo, a memória de uma tragédia e o abandono marcam imóvel que ninguém quer comprar em Rio Branco

Em uma das áreas mais valorizadas de Rio Branco, uma grande mansão localizada na Rua Copaíba, no bairro Vila Nova, guarda uma história que atravessou mais de uma década e ainda provoca desconforto entre moradores da região. O imóvel, que já simbolizou status, conforto e prosperidade, permanece à venda há mais de dez anos — mas todos os interessados acabam desistindo quando descobrem o que aconteceu dentro da residência.

Com quatro suítes, ampla sala de estar, cozinha em estilo europeu, sala de vídeo, biblioteca, sobrado, edícula e uma área coberta que circundava um elegante jardim, a mansão já foi considerada uma das propriedades mais imponentes do bairro. O terreno bem cuidado, com gramado verde plantado pelo próprio dono, completava o cenário de uma casa que era vista como referência de beleza arquitetônica na região.

Hoje, porém, a realidade é bem diferente.

O imóvel está tomado pelo abandono. Árvores cresceram no lugar onde antes havia jardim, o mato invadiu áreas externas e até parte da estrutura interna da casa. O telhado apresenta sinais de colapso em alguns cômodos, e a deterioração causada pelo tempo passou a incomodar a vizinhança, que convive diariamente com o aspecto de ruína da residência.

“Não vou dizer que isso aí é mal-assombrado porque nunca vi nada de anormal relacionado a essa mansão. Mas que ela causa arrepios quando passamos aqui na frente, isso eu não posso negar”, relatou um morador da rua, que preferiu não ter o nome divulgado.

Outro vizinho conta que, apesar da aparência de abandono, a curiosidade sobre o imóvel ainda atrai possíveis compradores. Segundo ele, não é raro ver pessoas parando em frente ao portão para perguntar sobre o preço.

“Gente interessada sempre aparece. O problema é quando descobrem quem morava ali e o que aconteceu dentro da casa. A maioria desiste na hora”, afirma um motorista de ônibus que vive na região há anos.

A história que marcou a mansão remonta à noite de 5 de junho de 2015.

A residência foi construída pelo pesquisador aposentado da Embrapa Acre, José Ivan Portela da Costa (na foto abaixo), então com 67 anos, uma figura bastante conhecida e respeitada na comunidade científica e entre moradores da capital acreana. Ele vivia no local com o único filho, um adolescente de 16 anos.

A casa era o centro da vida familiar.

Naquela noite, porém, a tranquilidade foi interrompida de forma brutal. Quatro jovens da vizinhança, ligados a uma facção criminosa, invadiram a mansão armados com pistolas com a intenção de roubar objetos de valor.

Sozinho na residência naquele momento, José Ivan foi rendido pelos criminosos. De acordo com as investigações da época, ele foi torturado durante horas antes de ser assassinado. O pesquisador foi estrangulado pelos próprios invasores e teve o corpo deixado amarrado sobre a cama do quarto principal.

O crime causou grande comoção em Rio Branco e repercutiu em toda a comunidade local. Quatro criminosos foram presos, de acordo com relator da imprensa à época.

Depois da tragédia, a mansão nunca mais voltou a ser habitada. O filho do pesquisador, que não estava em casa na noite do crime, deixou o local e nunca mais foi visto pelos vizinhos.

Posteriormente, um parente distante colocou o imóvel à venda. Desde então, a propriedade permanece no mercado imobiliário sem conseguir comprador.

Segundo moradores da Rua Copaíba, o valor do imóvel não seria o principal obstáculo para a negociação. O que pesa, na verdade, é a memória da violência associada ao lugar.

“Foi um crime muito chocante para a cidade. Ele era uma pessoa conhecida e respeitada. Acho que ninguém quer morar em um lugar marcado por uma tragédia tão revoltante”, comentou outro vizinho.

Hoje, a mansão abandonada tornou-se uma espécie de símbolo silencioso de como a violência pode transformar destinos — não apenas de uma família, mas também de um espaço inteiro da cidade.

Entre muros cobertos de mato e telhados que começam a ruir, a antiga residência da Rua Copaíba permanece como um retrato incômodo de um passado que muitos em Rio Branco prefeririam esquecer.