Há uma pressão do senador Márcio Bittar para convencer o governador a engajar a máquina pública em torno de sua candidatura à reeleição. A reportagem ouviu um alto dirigente liberal no Acre, há pouco, que disse:
“Especialmente os secretários de Estado precisam entrar na campanha de Bittar como segundo voto de senador. Sem voto casado ( com Cameli, a primeira opção natural da aliança), não faz sentido”, afirmou. A grande questão é que Cameli não aceita a manipulação desejada pelo senador. Além disso, quase cem por cento do secretariado tem compromisso com o governador e com a vice, Mailza Assis, candidata a governadora.
A resistência de Gladson: O governador tem demonstrado cautela. Utilizar o aparato administrativo de forma ostensiva pode gerar problemas jurídicos (improbidade administrativa) e desgaste político, ferindo o princípio republicano que ele defende manter.
Como parte do acordo, existe uma estratégia de “limpeza” em outras siglas:
Migração forçada: Pelo menos três ou quatro nomes de peso estão sendo orientados para se filiarem ao PL. Vanda Milani, Pedro Lingo, Minoru Kinpara, Ney Amorim e Mazinho Serafim são os mais cotados. É outra condução imposta por Bittar, atendendo a ordens dos caciques bolsonaristas, para fechar a composição com Mailza. O PL descartou Bocalom, por considerar que não interessa ao partido a sua candidatura a governador, e sim uma chapa ampla e competitiva capaz de eleger ao menos dois deputados federais pelo Acre – fortalecer a chapa proporcional do PL e consolidar o partido como o porto seguro da direita no estado, sob a bênção de Cameli.
A vice-governadora Mailza Assis (PP) é a candidata natural à sucessão de Gladson.
Transmissão de cargo: Para concorrer ao Senado, Gladson Cameli precisará se afastar do governo em abril de 2026. Nesse momento, Mailza assume o comando do Estado.
Poder da caneta: Ao assumir como governadora titular, Mailza ganha o “poder da caneta”, o que a coloca em uma posição de vantagem para disputar a reeleição, embora enfrente desafios internos.
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Senado 2026
A resistência de Gladson em “entregar” a máquina para a campanha de aliados pode ser o grande ponto de atrito nas próximas semanas, especialmente com a proximidade da janela partidária.