Mercado global de açúcar caminha para novo déficit

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Mercado global de açúcar caminha para novo déficit
O mercado mundial de açúcar deve registrar um novo déficit na safra 2025/26, em meio a revisões negativas de produção na Índia, Tailândia e União Europeia, segundo projeções apresentadas pela Datagro em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (4). De acordo com o presidente da consultoria, Plínio Nastari, o ciclo 2025/26 (outubro-setembro) deve encerrar com déficit global de aproximadamente 800 mil toneladas, em equivalente açúcar bruto. Para 2026/27, a estimativa é de um desequilíbrio ainda maior, de cerca de 2,68 milhões de toneladas.

Apesar do cenário mais apertado no balanço mundial, os preços internacionais seguem pressionados. O contrato do açúcar bruto em Nova York opera próximo de 14 centavos de dólar por libra-peso, o menor nível desde a pandemia, refletindo aumento da produção em alguns países asiáticos e forte posição vendida de fundos especulativos.

 

Um dos principais ajustes nas estimativas veio da Índia. A Datagro reduziu a previsão de produção do país em 2025/26 de 32,1 milhões para 30 milhões de toneladas. A revisão reflete moagem acelerada, menor produtividade agrícola e encerramento antecipado da safra, especialmente no estado de Maharashtra.

Para 2026/27, o cenário também inspira cautela. A possibilidade de influência do El Niño sobre as chuvas de monção pode limitar o potencial produtivo.

Brasil mantém protagonismo

No Centro-Sul do Brasil, principal região produtora global, a safra 2025/26 deve alcançar moagem de 610,5 milhões de toneladas de cana, com produção de 40,77 milhões de toneladas de açúcar — praticamente estável em relação ao ciclo anterior.

Para 2026/27, a moagem pode crescer para 635 milhões de toneladas, mas com mix menos açucareiro, diante da expectativa de maior direcionamento da cana para a produção de etanol.

A produção nas regiões Norte e Nordeste tende a recuar para cerca de 3 milhões de toneladas, ante 3,8 milhões no ciclo anterior.

A consultoria projeta recuperação no consumo de etanol hidratado no Brasil em 2026, passando de 21,2 bilhões para 24,2 bilhões de litros. Caso a participação do hidratado nos veículos flex volte aos níveis de 2019, o aumento pode ser ainda mais expressivo, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.