Depoimentos de funcionários e vizinhos do prédio onde a policial Gisele Alves Santana vivia com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, revelou detalhes sobre a relação do casal no condomínio. Ela foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro dentro do imóvel, localizado no Brás, região central da capital paulista.
De acordo com o relatório final da investigação, a inspetora do condomínio relatou aos policiais que os moradores do prédio tinham receio do tenente-coronel devido à sua conduta “fechada e soberba”.
Essa postura hostil foi confirmada pelo casal que morava na porta em frente à do investigado. Eles relataram que o militar era uma pessoa tão reservada que sequer respondia aos cumprimentos básicos nos elevadores e áreas comuns.
Os vizinhos também confirmaram que escutavam gritos constantes e portas sendo batidas com força durante as brigas do casal.
Eles relataram que durante um encontro no elevador, ao cumprimentarem Geraldo, Gisele e a criança, os vizinhos foram mais uma vez ignorados.
A vizinha notou que Gisele ficou de cabeça baixa o tempo todo e, assim que o elevador chegou ao 27º andar, correu para abrir a porta do apartamento. Imediatamente, o tenente-coronel se apressou para esconder a esposa da visão dos vizinhos.
Os moradores do andar também destacaram à polícia que nunca viram Gisele circulando sozinha pelo condomínio, estando sempre sob a vigilância constante do marido.
Gisele relatou traições de tenente-coronel
De acordo com a investigação policial, a qual a CNN Brasil teve acesso, a policial não conseguia superar uma suposta traição cometida pelo marido. “E por mais que você diga para mim, nada justifica uma traição. Você não sabe como é viver com isso; não tem um dia que eu não lembre dessa história”, escreveu à Neto.
Gisele complementa ainda que “por mais que o tempo passe, talvez eu realmente não ‘desencane’ dessa história e tenha que me separar de você por não confiar mais”.
Em resposta às alegações da esposa, o tenente-coronel afirmou que sua consciência estava tranquila e que não a traiu, se tratando apenas de “fofocas sem fundamento”. Gisele rebate, dizendo que conhece o comportamento “galanteador” de Neto e que isso estava fazendo-a muito mal.
Uma outra discussão protagonizada pelo casal mostra que Gisele insistia na separação pela falta de confiança entre os dois.
Veja as conversas entre Geraldo e Gisele:
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1 de 5Geraldo e Gisele estavam juntos há cerca de 4 anos • Reprodução/Redes Sociais
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2 de 5Coversas mostram mensagens como “macho alfa” e “fêmea beta” • Reprodução
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3 de 5Prints revelam “regras de comportamento” que Geraldo exigia de Gisele • Reprodução
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4 de 5Mensagens apontam que Gisele teria se queixado de que Geraldo a “tratava de qualquer jeito” • Reprodução
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5 de 5Mensagens foram trocadas no dia 13 de fevereiro • Reprodução
Veja a nota da defesa na íntegra:
“O escritório de advocacia MALAVASI SOCIEDADE DE ADVOGADOS, contratado para assistir o tenente-coronel GERALDO LEITE ROSA NETO no acompanhamento das investigações relativas ao suicídio de sua esposa, vem a público prestar esclarecimentos.
Ante o recente decreto dúplice de prisão do tenente-coronel pelos mesmos fatos tanto perante a Justiça Militar quanto pela Justiça Comum, a defesa encontra-se estarrecida pela manutenção da competência de ambas as jurisdições.
Informa que sabedor dos pedidos de prisão em seu desfavor desde a data do dia 17/3 não só não se ocultou, como forneceu espontaneamente comprovante de endereço perante a Justiça, local onde foi cumprido o mandado de prisão, ato ao qual, embora manifestamente ilegal, pois proferido por autoridade incompetente, não se opôs, tendo mantido a postura adotada desde o início das apurações de colaboração com as autoridades competentes.
Informa, por fim, que já ajuizou Reclamação perante o STJ contra o decreto oriundo da Justiça castrense e que estuda o manejo de habeas corpus quanto à decisão da 5.ª Vara do Júri da Capital.
Reitera que seguem sendo divulgadas informações e interpretações que alcançam aspectos de sua vida privada, muitas vezes por meio de conteúdos descontextualizados, ocasionando exposição indevida e repercussões que atingem sua honra e dignidade. A intimidade, a vida privada, a honra e a imagem constituem direitos fundamentais assegurados pela Constituição Federal (art. 5º, X), razão pela qual a divulgação de elementos pertencentes a essas esferas encontra limites nas garantias constitucionais, sendo certo que, no momento oportuno, sua equipe jurídica irá reprochar toda e qualquer divulgação ou interpretação que venha vilipendiar tais direitos em relação ao Tenente-Coronel.
Por fim, o escritório reafirma sua confiança na atuação das autoridades responsáveis pela condução das investigações e reitera que o Tenente-Coronel aguarda a completa elucidação dos fatos”.
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*Sob supervisão de Carolina Figueiredo