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Mounjaro causa “derretimento” das partes íntimas? Veja explicação

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Mounjaro causa “derretimento” das partes íntimas? Veja explicação

A expressão “derretimento das partes íntimas” tem circulado nas redes sociais e é associada ao uso do Mounjaro, medicamento indicado para o tratamento do diabetes tipo 2 e que também vem sendo utilizado para perda de peso. A formulação apelativa tem gerado dúvidas e preocupação entre pacientes, mas especialistas afirmam que a descrição não corresponde a um efeito colateral específico do remédio e explicam o que, de fato, pode estar por trás dessa percepção.

O Mounjaro é o nome comercial da tirzepatida, uma medicação injetável que atua em hormônios relacionados ao controle da glicose e do apetite. Ao reduzir a fome e melhorar o controle metabólico, o medicamento ajuda os pacientes a terem uma perda de peso significativa. É justamente essa redução de gordura corporal que ajuda a entender o porquê do surgimento dessa expressão.

O que seria o “derretimento” das partes íntimas?

Não existe na bula do medicamento qualquer efeito adverso descrito como “derretimento” de tecidos, muito menos restrito à região íntima. O que pode ocorrer, em casos de emagrecimento rápido, é a diminuição do volume de gordura subcutânea em diferentes partes do corpo, incluindo a região pubiana.

“O termo “derretimento” é utilizado pelas próprias pacientes para se referir à flacidez de pele. Quando a pele fica flácida, dá essa sensação de que está “derretendo”. Não é um termo científico nem técnico usado na cirurgia plástica, é um termo popular relatado no consultório”, comenta Renata Magalhães, especialista em cirurgia íntima e plástica.

A chamada “região íntima” também possui tecido adiposo e, quando há redução de peso, essa gordura no local diminui, assim como acontece no rosto, braços, abdômen e coxas. Esse fenômeno não é exclusivo do Mounjaro e pode acontecer com qualquer método que leve a emagrecimento significativo, incluindo dieta, cirurgia bariátrica ou outros medicamentos.

Como resolver o problema?

“Geralmente, a flacidez de pele é consequência da perda de elasticidade, muitas vezes associada ao chamado ‘efeito sanfona’. Não costuma melhorar espontaneamente com o tempo. Exercícios físicos melhoram a flacidez muscular, mas não a flacidez de pele. No caso da região íntima, o problema principal é a pele e a perda de volume, não o músculo. Portanto, exercícios não resolvem a flacidez da pele nessa área”, acrescenta Magalhães.

Os médicos ressaltam que mudanças corporais decorrentes da perda de peso fazem parte do processo de emagrecimento e variam de pessoa para pessoa, dependendo de fatores como idade, genética, quantidade de peso perdido e tempo em que isso ocorreu.

Embora essa alteração estética ou funcional não seja um “derretimento” literal, pode levar a um desconforto significativo e impactar a autoestima e a qualidade de vida sexual da mulher. Nestes casos, procedimentos estéticos podem ser indicados para restaurar o volume e a firmeza da região.

“Temos opções minimamente invasivas, como bioestimuladores de colágeno, preenchimento com ácido hialurônico ou gordura da própria paciente (lipofilling), além de tecnologias como radiofrequência para flacidez. Em casos mais acentuados, pode ser indicada cirurgia, como lifting pubiano ou labioplastia, dependendo da queixa. Além dessas abordagens, também pode ser indicada a vulvoplastia, procedimento cirúrgico que corrige o excesso de pele e melhora a firmeza da região íntima”, explica Fernanda Nassar, ginecologista especializada em estética íntima.

As especialistas alertam que, antes de fazer qualquer procedimento estético na região íntima, é importante uma avaliação individualizada. Gestantes, pacientes com infecções ativas e doenças descompensadas não devem fazer nenhum tipo de procedimento. “Além disso, é importante que o peso esteja estabilizado antes de qualquer intervenção, para garantir um resultado mais duradouro e seguro”, finaliza Nassar.

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