No sexto dia de conflito no Oriente Médio, Israel lançou uma grande onda de ataques contra Teerã, visando o que disse ser a infraestrutura pertencente às autoridades iranianas. Já os mísseis que partiram do Irã levaram milhares de israelenses a correr para abrigos antiaéreos.
Nesta quinta-feira (5), o Sri Lanka iniciou o desembarque dos 208 tripulantes de um navio iraniano em sua costa. Segundo um porta-voz do país, a ação foi realizada para salvar vidas. Um dia antes, um submarino americano afundou um navio de guerra do Irã no sul do Sri Lanka. Pelo menos 87 tripulantes morreram.
Já a Guarda Revolucionária iraniana afirmou que atingiu um petroleiro norte-americano na parte norte do Golfo Pérsico e que a embarcação ficou em chamas. De acordo com comunicado divulgado pela mídia estatal, a passagem pelo Estreito de Ormuz segue sob controle da república islâmica.
Em uma outra frente, um míssil iraniano foi interceptado antes de atingir uma base dos Estados Unidos no Catar.
Cessar-fogo
O professor de Relações Internacionais, Roberto Goulart Menezes, da Universidade de Brasília (UnB), chama a atenção para a falta de sinalização para um cessar-fogo:
“O conflito no Oriente Médio, claro, envolvendo diretamente Estados Unidos e Israel na guerra contra o Irã, o que mais chama a atenção é que, neste momento, nós não temos nenhuma negociação em curso para um cessar-fogo. O Conselho de Segurança das Nações Unidas segue apático e sem uma decisão, até mesmo uma discussão mais aprofundada sobre a guerra.”
O especialista cita também uma certa capacidade de dissuasão por parte do Irã, que segue atacando Israel e já lançou mísseis e drones contra cerca de 14 países no Oriente Médio, mirando bases militares dos Estados Unidos. O professor Roberto Menezes analisa ainda a resistência de aliados da Casa Branca em entrar no conflito:
“Também não estamos vendo outros países aliados dos Estados Unidos entrarem ao seu lado no conflito. Creio que isso tenha a ver diretamente com a legitimidade do ataque. Os ataques foram realizados pelos Estados Unidos e Israel sem a anuência do Conselho de Segurança das Nações Unidas. No caso dos Estados Unidos, nem mesmo tem a anuência — o governo Trump tem a anuência — do próprio Congresso de seu país.”
Donald Trump
Em entrevista à Reuters nesta quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que considera Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, uma “escolha improvável”. Declarou ainda que quer participar do processo que vai definir quem vai liderar o Irã, como fez com Delcy Rodriguez, na Venezuela.
O professor de Relações Internacionais da UnB ressalta que essa tentativa de interferência de Trump encontra resistência declarada das autoridades iranianas:
“Os Estados Unidos eliminaram mais de 50 lideranças do país, sem dúvida alguma, num curto espaço de tempo, claro, com o objetivo de tornar acéfalo o poder no país. Mas nós já vimos que, em meados de 2025, Ali Khamenei já vinha tratando do seu sucessor, dado o seu estado de saúde. Então, neste momento, a resposta que o Irã venha a dar de quem vai ser o líder supremo, quais são as lideranças que vão assumir — já assumiu a Guarda Revolucionária — as outras posições de comando do país, eles não vão consultar os Estados Unidos sobre isso. Inclusive, o próprio Irã já disse: ‘não tem negociação com os Estados Unidos’.”
Assassinato planejado
Também nesta quinta, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o assassinato de Ali Khamenei foi planejado em novembro do ano passado, quando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu estabeleceu a meta de “eliminar” o aiatolá.
*Com informações da agência Reuters
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