No topo da tragédia: Acre lidera ranking nacional de feminicídios há 9 anos

O Acre segue liderando, proporcionalmente ao número de habitantes, o ranking nacional de feminicídios no Brasil. De acordo com a pesquisa “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgada nesta quarta-feira (4), em Brasília, o estado registra, em média, 3,2 mulheres assassinadas por ano para cada grupo de 100 mil habitantes, mantendo-se no topo da lista pelo nono ano consecutivo.

O levantamento, apresentado pelo Fórum Nacional da Violência Doméstica, leva em consideração os dados consolidados de 2025 relacionados a mortes motivadas por questão de gênero e violência doméstica.

Segundo informações da própria Secretaria de Estado de Segurança Pública do Acre, 14 mulheres foram executadas em 2025 no estado. O número considera exclusivamente casos de violência doméstica praticados por marido ou ex-companheiro da vítima — ou seja, feminicídios íntimos.

Perfil das vítimas

Outra estatística que chama atenção é o perfil predominante das vítimas acreanas. A maioria das mulheres assassinadas no ano passado:

  • Era dona de casa

  • Tinha entre 26 e 49 anos

  • Pertencia a famílias de baixa renda

  • Já vinha sofrendo ameaças e agressões anteriores

Os dados reforçam um padrão já identificado em estudos anteriores: a violência é recorrente e, em grande parte dos casos, precedida por histórico de maus-tratos.

Tendência mantida há quase uma década

A liderança do Acre no ranking proporcional não é um fato isolado. O estado ocupa essa posição de forma contínua há nove anos, evidenciando a persistência do problema e os desafios estruturais no enfrentamento à violência contra a mulher.

Em números absolutos, no entanto, o estado de São Paulo permanece na liderança das ocorrências de mortes atribuídas à questão de gênero e violência doméstica, reflexo também de sua maior população.

Especialistas alertam que, embora os números absolutos sejam mais elevados nos estados mais populosos, a taxa proporcional coloca o Acre em situação alarmante, revelando que, em termos estatísticos, o risco de uma mulher ser vítima de feminicídio no estado é superior ao registrado em qualquer outra unidade da federação.

O novo relatório reacende o debate sobre políticas públicas, medidas protetivas e a efetividade da rede de proteção às mulheres, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste do país, onde os índices seguem acima da média nacional.