A poucos dias da eleição para a Reitoria da Universidade Federal do Acre, marcada para esta quinta-feira e realizada de forma virtual, um levantamento de gastos da atual gestão intensificou o debate entre situação e oposição dentro da instituição. Dados extraídos do Portal da Transparência apontam que a administração superior consumiu R$ 765.839,48 em despesas, principalmente com viagens, entre 1º de junho de 2024 e 16 de março deste ano.
Segundo o levantamento, três setores concentram a maior parte dos gastos, somando R$ 538.970,43. A Reitoria lidera com R$ 231.521,21, seguida pela Pró-Reitoria de Graduação, com R$ 140.256,30, e pela Chefia de Gabinete da Reitoria, com R$ 167.192,92. Os demais setores de chefia respondem por R$ 226.862,05, incluindo a Editora da Ufac (Edufac), com R$ 69.664,43; a Pró-Reitoria de Pesquisa, com R$ 67.611,88; a Pró-Reitoria de Extensão, com R$ 63.382,04; e a Assessoria de Eventos e Cerimonial, com R$ 26.203,70.
As despesas são alvo de críticas por parte da oposição e de representantes da categoria docente. O presidente da Associação dos Docentes da Ufac (Adufac), professor Gerson Albuquerque, classificou os gastos como excessivos, especialmente no contexto pós-greve de 2024. “É muito interessante olhar para esses dados, que indicam uma gastança com dinheiro público em viagens da administração superior e de sua assessoria, logo após o término da greve”, afirmou.
De acordo com o dirigente, o volume de despesas teria impactado diretamente a capacidade de investimento da universidade em áreas estratégicas. Ele sustenta que, para o exercício de 2025, restaram cerca de R$ 3 milhões destinados ao fomento da pesquisa e da extensão, valor considerado insuficiente diante das demandas acadêmicas. “Como resultado dessa equação perversa, restaram apenas R$ 3 milhões no orçamento deste ano para o fomento da pesquisa e da extensão na instituição”, criticou.
Albuquerque também relembrou que, no período de 2023 a 2024, a atual gestão já havia gasto mais de R$ 1,5 milhão em viagens, o que, segundo ele, agrava o cenário financeiro. Para o representante da Adufac, a universidade agora enfrenta dificuldades orçamentárias e depende da captação de emendas parlamentares para equilibrar as contas. “Acho que chegou a hora de a comunidade universitária dar um basta a essa farra”, declarou.
Apesar das críticas, os números do orçamento geral da universidade revelam um quadro estrutural de forte comprometimento com despesas obrigatórias. A Universidade Federal do Acre possui orçamento estimado em R$ 510,2 milhões, tendo fechado o ano de 2024 com R$ 441,4 milhões executados. Desse total, cerca de 88% são destinados ao pagamento de pessoal, índice que pode chegar a 93% nos próximos anos, incluindo servidores ativos e inativos.
O cenário evidencia um dilema recorrente nas universidades federais: a limitação de recursos para investimentos frente ao crescimento das despesas fixas. No caso da Ufac, o tema ganha contornos políticos em meio à disputa eleitoral, com críticas à gestão atual sendo incorporadas ao debate sobre prioridades administrativas e uso do dinheiro público.
