A nave Orion é o veículo da agência espacial norte-americana (Nasa) desenvolvido para as missões do programa Artemis, com o objetivo de levar astronautas de volta à Lua após décadas desde a última missão lunar.
As tecnologias centrais se organizam em três partes: um sistema para os astronautas escaparem em emergências no lançamento, a cápsula em si, onde a tripulação ficará, e um módulo de serviço que fornece propulsão, energia e insumos no espaço.
Além disso, a nave conta com diversos sensores, softwares de navegação e sistemas de acoplamento projetados para permitir operações mais autônomas.
O que é a Orion?
A Orion é a espaçonave da Nasa criada para missões tripuladas no espaço, parte do programa Artemis. Ela foi projetada para levar astronautas à Lua e trazê-los de volta à Terra com segurança.
É importante destacar que a Orion é a nave por completo, enquanto a cápsula dela é apenas uma parte desse veículo espacial.
Na verdade, o que é chamado de cápsula é o Crew Module (módulo de tripulação); trata-se da parte pressurizada da nave, um ambiente onde os astronautas poderão viver e trabalhar.

Segundo a agência espacial, esse módulo é projetado para acomodar quatro tripulantes por até 21 dias. Ou seja, ela funcionará como habitat para os astronautas desde o lançamento, passando pelas operações em voo, até o retorno.
Quem desenvolveu a espaçonave?
A nave Orion foi desenvolvida em parceria com a empresa Lockheed Martin, já conhecida por sua atuação no setor espacial e de defesa. Segundo a agência, atualmente é a única espaçonave capaz de realizar voo tripulado no espaço profundo em alta velocidade, incluindo o retorno à Terra.
Orion faz parte do programa Artemis
A nave será lançada pelo foguete SLS (Space Launch System), capaz de levar tripulantes, a própria cápsula e suprimentos diretamente ao espaço lunar.
É importante citar que a Orion já foi testada na missão Artemis I, realizada em 2022, que teve como objetivo validar as tecnologias da nave e do foguete para as próximas etapas do programa.
Agora, a cápsula será utilizada na Artemis II, com lançamento previsto para abril de 2026. Nessa missão, a Orion levará quatro astronautas em um voo tripulado ao redor da Lua, ainda sem pouso na superfície.
Os quatro astronautas são:
- Reid Wiseman – Comandante;
- Victor Glover – Piloto;
- Christina Koch – Especialista de missão;
- Jeremy Hansen – Especialista de missão.
“Na Artemis II, a maior parte do tempo a nave vai voar de forma autônoma, mas ter humanos a bordo é uma oportunidade de contribuir para o sucesso das futuras missões. Se algo der errado, um tripulante pode assumir os controles e ajudar a resolver o problema. Um dos nossos principais objetivos é testar essa espaçonave e deixá-la totalmente pronta para nossos colegas da Artemis III”, disse o comandante da missão, Reid Wiseman, em uma publicação oficial.
Já na Artemis III, prevista para 2027, a nave tem o objetivo de transportar a tripulação até a órbita lunar. A partir daí, dois astronautas descerão à superfície utilizando um módulo de pouso. Assim como nas outras missões, eles também utilizam a espaçonave para retornar à Terra.
Quais as principais tecnologias da Orion?
O veículo foi construído com três partes principais: sistema de escape de lançamento, módulo de tripulação e módulo de serviço.
“A Orion servirá como o veículo de exploração responsável por transportar e sustentar a tripulação nas missões Artemis à Lua, além de trazê-la de volta à Terra com segurança. A nave será lançada pelo novo foguete de grande porte da Nasa, o SLS (Space Launch System)”, é descrito em uma página da agência espacial.
Para suportar a reentrada em alta velocidade, a Orion utiliza um escudo térmico que “consome” parte do material de forma controlada para ajudar a dissipar o calor.
Em documentos técnicos, a Nasa revelou que esse escudo é produzido com o material conhecido como Avcoat, capaz de aguentar temperaturas próximas de 2.760 °C durante o retorno. Isso garante que a estrutura e a cabine permaneçam dentro de limites seguros.
Inclusive, vale destacar que o módulo de serviço é uma contribuição da Agência Espacial Europeia (Esa). Ele concentra boa parte do que faz a nave funcionar fora da atmosfera, incluindo energia elétrica, manobras e suprimentos.
Conheça um pouco mais sobre as três partes principais da Orion:
Sistema de escape de lançamento (Launch Abort System)
É o sistema que fica no topo da nave, projetado para afastar a cápsula do foguete se houver emergência no lançamento ou na subida inicial. Sua ativação pode ser feita em milissegundos.
No total, o sistema conta com três motores de propelente sólido. Em caso de emergência, eles são utilizados para acelerar o afastamento da nave, controlar a orientação e realizar a separação do módulo de tripulação.
Módulo de tripulação (Crew Module)
É a cápsula pressurizada onde a tripulação viverá, com capacidade indicada pela Nasa de quatro pessoas por até 21 dias. O período cobre o lançamento, operações em voo e retorno.
Para as operações no espaço e no retorno à Terra, o módulo conta com mecanismos de escotilhas, recursos de acoplamento e um conjunto de propulsores de controle de atitude (RCS). Tudo isso serve para ajudar a controlar a nave durante a reentrada.
A Nasa também detalhou que o módulo é coberto por uma proteção lateral (backshell) construída com aproximadamente 1.300 placas de proteção térmica; a estrutura foi pensada para lidar tanto com o frio do espaço quanto com o calor extremo da reentrada.
Módulo de serviço (European Service Module)
O módulo de serviço fica abaixo do módulo da tripulação e funciona quase como uma “casa de máquinas” da Orion. Assim, é o responsável por fornecer eletricidade, propulsão, controle térmico e também recursos de suporte à vida.
Ao todo, o módulo de serviço é equipado com 33 motores, que serão utilizados para realizar manobras e controlar a orientação da nave ao longo da missão.
Os 33 motores são divididos nas seguintes categorias:
- Um motor principal do tipo Orbital Maneuvering System Engine (OMS-E): ele é derivado do programa dos ônibus espaciais e usado para executar as grandes manobras da missão, como corrigir a trajetória da Orion no espaço.
- Oito motores auxiliares: esses ajudam em ajustes orbitais e em mudanças menores de velocidade e direção.
- 24 propulsores menores de controle de atitude (RCS): os RCS são usados para controlar a orientação da nave, permitindo apontá-la corretamente e fazer movimentos precisos no espaço.
Como os astronautas pilotam a Orion?
A Orion foi projetada para voar de forma quase completamente autônoma, mas os astronautas também podem assumir os comandos quando necessário. Na missão Artemis II, por exemplo, a tripulação deverá pilotar a nave manualmente em alguns momentos para testar como ela responde no espaço.
Para isso, os astronautas usam dois controles principais. Um deles serve para girar a nave e apontá-la na direção desejada, controlando movimentos como subir, descer, inclinar ou virar para os lados. O outro é usado para deslocar a Orion no espaço, fazendo a cápsula avançar, recuar, subir, descer ou seguir lateralmente.
As informações aparecem em três telas, e a tripulação também conta com um dispositivo para interagir com essas telas. Assim, quando um astronauta move esses controles, o comando é interpretado pelo software de voo da Orion.
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