A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta sobre os riscos do uso indevido de preenchimentos para a pele, como o ácido hialurônico e o polimetilmetacrilato (PMMA). Durante entrevista ao Agora CNN, a dermatologista Marcelle Nogueira, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explicou os perigos associados a estes procedimentos quando realizados de forma inadequada.
Segundo Marcelle, estes produtos são utilizados principalmente para melhorar a volumização do rosto, especialmente em casos de envelhecimento, quando ocorre a perda de coxins de gordura. “Alguns desses ativos são usados como preenchimentos injetáveis para melhorar a volumização do rosto. Outros ativos são usados como bioestimuladores, que recrutam células responsáveis pela produção de colágeno”, explicou a especialista.
A médica alertou que as principais complicações ocorrem quando os procedimentos são realizados em regiões anatômicas de alto risco, como o nariz, as têmporas (laterais do rosto) e a glabela (região entre as sobrancelhas). “Essas regiões estão associadas a maior risco desses procedimentos, especialmente quando realizados por profissionais não capacitados”, advertiu.
Complicações graves podem ser irreversíveis
As consequências de um procedimento mal realizado podem ser devastadoras. “Essas complicações podem ir desde necrose da pele, oclusão de vasos importantes como artérias, levando até um quadro de cegueira que pode ser permanente, além de quadros de infecção e granulomas”, alertou Marcelle Nogueira.
A especialista enfatizou que, no Brasil, procedimentos invasivos são definidos pela lei 12.842/2013 como atos médicos. Por isso, a escolha de um profissional médico especializado é fundamental para reduzir o risco de complicações. “O profissional médico fará uma indicação adequada do procedimento, aplicará com técnicas corretas e terá conhecimento da anatomia da região”, destacou.
Um ponto importante mencionado pela dermatologista é que complicações como oclusão arterial, que pode levar à cegueira ou necrose, podem ser revertidas em até 80% dos casos quando tratadas nas primeiras 4 a 6 horas após o quadro. Por isso, a capacidade do médico de identificar e tratar rapidamente uma complicação é essencial.
Para quem deseja realizar esses procedimentos, Marcelle recomenda buscar profissionais médicos com especialidade na área, como dermatologistas e cirurgiões plásticos que tenham feito residência médica. “O site do Conselho de Medicina propicia uma ferramenta de busca onde os pacientes podem pesquisar pelo RQE, que é o Registro de Qualificação de Especialista”, orientou a médica, sugerindo que os pacientes verifiquem o registro profissional antes de se submeterem a qualquer intervenção estética.