Resultado cruzado marca eleição inédita na UFAC e abre debate sobre decisão do Consu

A eleição para a reitoria da Universidade Federal do Acre, realizada nesta quinta-feira, entrou para a história da instituição ao registrar um resultado considerado atípico e inédito. O professor Josimar Batista Ferreira foi escolhido como novo reitor, enquanto a professora Almecina Balbino Ferreira, integrante da chapa opositora  foi a mais votada para o cargo de vice-reitora.

O chamado “resultado cruzado” ocorre porque, na UFAC, as eleições para reitor e vice-reitor são realizadas de forma independente. Esse modelo permite que professores, técnicos e estudantes votem em candidatos de chapas distintas, o que acabou produzindo uma composição administrativa formada por adversários políticos — algo nunca registrado anteriormente na universidade.

A configuração surpreendeu até membros da própria instituição. “Nunca vimos algo parecido”, relatou um integrante da administração superior, sob condição de anonimato. O cenário agora levanta questionamentos sobre a convivência política entre os eleitos e, principalmente, sobre os próximos passos institucionais.

De acordo com o regimento, caberá ao Conselho Universitário (Consu) analisar o resultado e emitir parecer sobre o processo. A decisão final, no entanto, será encaminhada ao Ministério da Educação, responsável por homologar e dar posse à nova gestão. Apesar das incertezas, fontes internas indicam que há uma tendência de respeito à vontade expressa nas urnas pela comunidade acadêmica.

O clima após a apuração também refletiu a singularidade do resultado. Durante as comemorações, apoiadores da chapa vencedora para reitor protagonizaram momentos de descontração e até ironia ao destacar que a candidata a vice ligada ao grupo da atual gestão obteve mais votos que o professor Carlos Paula Moraes, considerado o nome preferido da reitora Guida Aquino.

A situação inaugura um novo capítulo na política universitária da UFAC, colocando à prova a capacidade de diálogo entre grupos historicamente opostos e evidenciando as particularidades do sistema eleitoral da instituição. O desfecho agora depende do posicionamento do Consu e da chancela final do Ministério da Educação.