O transbordamento repentino do Rio Rapirã isolou a Vila Puerto Evo Morales, vizinha a Plácido de Castro. Além do prejuízo ao comércio, a falta de energia e o bloqueio da ponte podem adiar o semestre acadêmico.
Os moradores e comerciantes da Vila Puerto Evo Morales, na Bolívia, foram surpreendidos por uma enchente repentina na madrugada desta terça-feira (31). O Rio Rapirã, que delimita a fronteira com o município acreano de Plácido de Castro, transbordou e cobriu boa parte da rua principal, deixando a comunidade debaixo d’água e isolando o acesso terrestre entre os dois países.
A subida do nível do rio foi tão rápida que não deu margem para avisos prévios. Até o final de segunda-feira, os serviços de meteorologia não indicavam chuvas fortes para a região. A principal hipótese é que fortes enxurradas nas cabeceiras do rio tenham provocado a “cabeça d’água”, atingindo a vila na calada da noite.
Impacto Econômico e Logístico
O cenário ao amanhecer era de correria. Comerciantes bolivianos trabalharam durante a madrugada para retirar mercadorias e evitar perdas maiores. O impacto econômico é imediato:
- Tráfego Suspenso: A única ponte que liga o Brasil à Bolívia naquela região está submersa, impedindo a passagem de veículos.
- Comércio Paralisado: Como a vila sobrevive quase exclusivamente das vendas para brasileiros, as lojas ficaram vazias ao longo do dia.
- Risco Elétrico: A energia da vila é fornecida pelo Brasil. A concessionária responsável enviou técnicos ao local para avaliar o risco de acidentes elétricos, uma vez que a fiação cruza áreas inundadas. O corte preventivo do fornecimento de luz não está descartado.
Incerteza no Ensino Superior
A inundação atingiu em cheio o calendário acadêmico. Cerca de 300 estudantes de medicina, vindos de diversas regiões do Brasil, aguardavam o retorno às aulas nesta quarta-feira no polo da Universidade Amazônica de Pando (UAP).
Diante da impossibilidade de travessia e do risco iminente de desabastecimento de energia, a diretoria da universidade avalia o adiamento do início das aulas. Os alunos aguardam um comunicado oficial para saber a nova data do fim das férias de início de ano, já que a infraestrutura da faculdade e o acesso dos estudantes estão severamente comprometidos.
Nota: Até o fechamento desta edição, o nível do Rio Rapirã continuava sendo monitorado pelas autoridades locais e pela Defesa Civil, sem previsão exata de quando as águas devem baixar para a liberação da ponte.
