A escritora e palestrante Ruth Manus, 37, refletiu sobre algumas frases que são repetidas a mulheres e que não fazem mais sentido nos dias de hoje. Em entrevista à CNN Brasil, em proximidade com o Dia Internacional da Mulher, a advogada mencionou que “quase toda frase sobre mulher já começa errada”.
“Acho que quase toda a frase que a gente fala sobre mulheres, assumindo que todas as mulheres são iguais, então, tratando a mulher no singular e não as mulheres no plural, assumindo que elas têm escolhas diversas, situações de vida diversa, histórias diversas, acho que já começa errado”, explica.
Em sua fala, ela ainda menciona algumas citações comuns, como parabenizar uma mulher que emagreceu ou dizer que uma mulher está envelhecendo bem, dizendo que ela não aparenta ter a idade que tem. “Nesse caso, a gente está presumindo coisas sobre imagem: que ela quer emagrecer, que ela quer ser jovem e que uma mulher que envelhece naturalmente não pode ser bonita”, pontua.
Ruth ainda diz que essas frases também são ampliadas para a vida pessoal e familiar da mulher. “Também tem coisas relativas à maternidade do tipo: ‘Nossa, mas você tem essa idade e não quer ter filho?’ e ‘Nossa, mas você não vai ter outro filho? Vai deixar o seu filho ser filho único’ ou ‘Nossa, você amamentou tão pouco, não tentou parto normal?’ Acho que todas essas invasões que a gente considera muito naturais são, na verdade, coisas muito graves”.
Na entrevista, a escritora ainda salienta que esse discurso também se amplia no mercado de trabalho, com citações como: “Nossa, mas chegou a fulana para deixar a nossa reunião mais bonita” ou até “Com uma mulher bonita como você, é claro que o cliente vai querer fechar negócio”. Neste caso, a autora ainda reforça que apesar dessas e outras frases estarem “travestidas de elogio, são coisas absolutamente redutoras sobre a nossa capacidade”.
O que mudou e o que ainda precisa mudar na forma em que a sociedade enxerga o papel da mulher?
“Acho que as mulheres vêm progressivamente, mudando pouquinho o olhar que elas têm sobre elas mesmas. Então a gente se pergunta coisas: ‘Será que eu quero ter filho?’, ‘Será que eu quero essa carreira?’, ‘Será que eu quero essa relação?’, ‘Será que eu quero me relacionar com homens?’”, conta.
Na sequência, Ruth Manus explica que essa gama grande de perguntas não vem acompanhada de respostas fáceis e que a sociedade não está preparada para que essas respostas sejam plurais.
“Estamos falando de mulheres, tentando a duras penas evoluir e progredir, e uma sociedade que não só não está preparada, como está muito resistente a isso”, finaliza.
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