A história do movimento sindical acreano vive, neste 20 de março de 2026, um de seus capítulos mais determinantes. A decisão do Desembargador Carlos Augusto Gomes Lôbo, ao negar seguimento aos recursos de revista de Rosana Nascimento e de seu aliado José Arimatéia, não é apenas uma derrota processual; é o carimbo judicial que atesta o esgotamento de um modelo de gestão que se confundiu com o próprio poder por duas décadas. Assim, prevalece a decisão da desembargadora Maria Cesarineide, para quem as eleições estão anuladas e a chapa encabeçada por Rosana incorreu em crime eleitoral, razão pela qual uma nova eleição deve ser realizada.
Ao confirmar a anulação da eleição e determinar um novo pleito, a Justiça do Trabalho não apenas expõe as entranhas de um processo eleitoral viciado, mas devolve a categoria dos trabalhadores em educação a um lugar de onde nunca deveriam ter saído: o centro das decisões.
A “Gestora não Autêntica” e o Vício da Origem
A decisão judicial é cirúrgica ao manter o reconhecimento de fraude e irregularidades que tornam Rosana Nascimento uma gestora não autêntica. O Judiciário entendeu que a tentativa de Arimatéia de se esquivar da inelegibilidade — alegando que sua atuação como advogado para o município era “técnica” e não um “cargo de confiança” — foi um malabarismo jurídico insuficiente para enganar a lei.
O estatuto do SINTEAC é claro: quem serve ao patrão (o governo) não pode sentar à mesa para defender o empregado. Ao tentar emplacar uma chapa com membros impedidos, a atual gestão não apenas burlou as regras, mas traiu a confiança de milhares de professores e funcionários de escola que esperam independência, e não subordinação velada.
O “Erro Técnico” que Sela o Destino
É quase irônico que uma gestão que se sustentou por tanto tempo através de manobras burocráticas tenha caído justamente pela incapacidade técnica de seus recursos. A negativa de seguimento pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) revela que os recorrentes sequer conseguiram cumprir os requisitos básicos da CLT (Art. 896).
Não houve “cerceamento de defesa”, como alegou Rosana. O que houve foi a ausência de prequestionamento e a falha em impugnar os fundamentos da decisão anterior. Em termos claros: o castelo de cartas desmoronou porque as fundações eram frágeis e a defesa, no apagar das luzes, mostrou-se amadora diante da gravidade dos fatos.
O Fim de 20 Anos de Hegemonia
Para a categoria, a mensagem é de esperança, mas também de alerta. Rosana Nascimento enfrenta agora o perigo real e imediato da expulsão definitiva do poder. Após 20 anos ditando as regras no maior sindicato do Acre, a atual presidente vê o tapete ser puxado por um erro que ela mesma alimentou: o distanciamento da base e o apego excessivo ao cargo.
Uma nova eleição no SINTEAC não é apenas um procedimento administrativo; é um rito de passagem. É a oportunidade de limpar as nódoas de uma gestão que se tornou anacrônica e autocrática. A hegemonia que parecia eterna provou que ninguém está acima da lei, nem mesmo aqueles que se julgam donos das chaves do sindicato.
Conclusão
O SINTEAC precisa respirar. A decisão judicial que manda realizar novas eleições é o primeiro passo para que a entidade recupere sua dignidade. Rosana Nascimento sai deste episódio menor do que entrou: não como a líder inabalável, mas como uma gestora cujos métodos foram rejeitados pela Justiça e cuja legitimidade foi anulada pelo vício da fraude.
A era da hegemonia termina onde o império da lei começa. Que os trabalhadores em educação saibam aproveitar este momento para retomar o que é seu por direito: um sindicato livre, autêntico e, acima de tudo, honesto.

