Tem Boca não: começa o esvaziamento do PSDB no Acre após chegada de Bocalom

A movimentação que culminou na adesão de Sebastião Bocalom ao PSDB, nesta quinta-feira (19), expôs uma ampla força-tarefa política, que atravessou inclusive setores da base governista no Acre, para garantir um “abrigo” ao prefeito da capital na reta final de seu mandato. Lideranças de diferentes espectros atuaram para viabilizar a nova casa partidária de Bocalom, que vinha enfrentando dificuldades para se manter politicamente viável.  O deputado estadual governista Pedro Longo é visto como o grande articulador da filiação de Bocalom ao PSDB. A legenda apóia o governo, que tem como candidata única a vice, Mailza Assis, para suceder Gladson Cameli.

O desfecho, considerado por aliados como um “final feliz”, concretiza a saída do prefeito do poder, prevista para o próximo dia 4 de abril – com o vice-prefeito Alysson Bestene assumindo e encerrando um ciclo marcado por forte desgaste político e sucessivas tentativas do prefeito de recompor sua base de apoio.

Nos corredores do poder, a avaliação é de que a mudança também alivia parte da pressão sobre aliados, incomodado com a ingratidão do prefeito, reeleito graças ao apoio do governador.

 A saída, nesse sentido, é vista por interlocutores como uma forma de “virar a página” e reorganizar o tabuleiro eleitoral no estado.

Apesar do desfecho favorável ao prefeito, a decisão provocou forte reação interna no PSDB, especialmente entre diretórios municipais que não foram consultados nem por ele nem pela direção nacional sobre a chegada de Bocalom. A insatisfação já se traduz em debandada.

Entre os primeiros a se posicionar está o deputado estadual Luiz Gonzaga, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Acre (Aleac), que reafirmou fidelidade ao governador Gladson Cameli. Outros nomes de peso também preparam a saída da legenda. A ex-deputada federal Vanda Milani e o presidente da Fundação Elias Mansour, Minoru Kinpara, articulam o desembarque nas próximas horas, aprofundando a crise interna.

O episódio evidencia que, embora tenha encontrado um novo endereço político, Bocalom carrega consigo um alto índice de rejeição dentro da própria legenda que o acolheu. A chegada ao PSDB, longe de pacificar o partido, inaugura um novo capítulo de tensões, marcado pelo esvaziamento de diretórios e pela resistência de lideranças históricas à sua presença.