Tráfico e lavagem de dinheiro: Justiça decide nas próximas horas destino do marido de secretária em prefeitura do Acre

A justiça do Acre se pronunciará a qualquer momento  a responsabilização criminal de Thiago Araújo Lopes, de 36 anos, apontado como líder de um esquema de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que teria ramificações dentro da gestão pública do município de Assis Brasil, no interior do Acre. Thiago foi preso durante a terceira fase da Operação Muares, deflagrada pela Polícia Civil após meses de investigação. Segundo o delegado Pedro Paulo Buzolin, responsável pelo caso, o suspeito era considerado o principal articulador do esquema, tanto pela logística do tráfico quanto pela movimentação financeira da organização criminosa. Thiago foi preso em março de 2025.

Durante a operação, os agentes apreenderam cinco veículos de luxo, entre eles um Toyota Corolla e uma Toyota Hilux SW4, avaliados em cerca de R$ 600 mil. A Justiça do Acre também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 1,5 milhão em contas bancárias ligadas ao investigado, além do sequestro de bens e suspensão das atividades econômicas de uma empresa registrada em seu nome.

Dois juristas ouvidos reservadamente pela reportagem confirmaram que a sentença é aguardada para as próximas horas.

Estrutura do esquema

De acordo com as investigações, Thiago utilizava a empresa T.A. Lopes Importação e Exportação LTDA para movimentar recursos suspeitos. A polícia constatou que a empresa não possuía sede física nas cidades indicadas no registro, o que levantou fortes indícios de que o empreendimento funcionava apenas como fachada para operações de lavagem de dinheiro.

As apurações tiveram início em janeiro do ano passado, após a apreensão de quatro quilos de entorpecentes que seriam enviados do Acre para o estado de Goiás. A partir desse episódio, investigadores passaram a monitorar a estrutura financeira do grupo. Ele é marido da secretária de Assistência Social do município e teria contratos de aluguel de veículos com a própria prefeitura.

Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça também indicam que o investigado mantinha relações com integrantes do Comando Vermelho, uma das maiores organizações criminosas do país. Segundo os autos, ele teria acumulado dívidas com o traficante Jhon Mendes Deoclecianno, conhecido como “Bomba” ou “Jhon Amarok”, realizando pagamentos por meio de contas bancárias ligadas à esposa.

Para quitar parte dessa dívida, Thiago teria repassado ao grupo criminoso uma Toyota Hilux SW4 clonada, conforme apontam os relatórios policiais.

Suspeita de uso de estrutura pública

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a possível tentativa de utilização de um prédio público da prefeitura de Assis Brasil para armazenamento de drogas. Conversas interceptadas indicam que Thiago e outro investigado, Nickson Dantas Gonçalves, cogitaram esconder entorpecentes em um local conhecido como “quarto dos alunos”, onde ambos trabalhavam como servidores.

A investigação também aponta que o suspeito mantinha influência dentro da gestão municipal.

Possível condenação

Com o avanço das diligências e o material reunido — que inclui escutas telefônicas, movimentações financeiras, apreensão de bens e análise de dispositivos eletrônicos —, o processo caminha agora para uma fase decisiva no Judiciário acreano.

Caso as acusações sejam confirmadas, Thiago Araújo Lopes poderá responder por tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro, crimes que somados podem resultar em penas superiores a 20 anos de prisão.

Além dele, outros investigados — como Carlos Endrio Braga de Souza, Anderson da Silva Marinho e Sérgio Batista da Silva — também seguem sob investigação por suspeita de participação no esquema financeiro da organização.

Não houve ate o momento uma manifestação do prefeito Jerry Correia, reeleito no primeiro turno nas eleições de 2024, obtendo 75,88% dos votos válidos.