Trump muda de posição e permite passagem de petroleiro russo para Cuba

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Trump muda de posição e permite passagem de petroleiro russo para Cuba

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou no domingo (29) que estava mudando de posição em relação ao bloqueio dos embarques de petróleo para Cuba, dizendo que não tinha “nenhum problema” com qualquer país enviando petróleo bruto, enquanto um petroleiro russo se aproximava de um porto cubano com um carregamento.

Um navio petroleiro russo estava próximo à costa leste de Cuba no domingo, de acordo com dados de rastreamento de navios, e a previsão era de que chegasse ao porto nesta segunda-feira (30), representando um respiro para a economia do país, que praticamente parou devido a um bloqueio de petróleo de fato imposto por Washington.

Os Estados Unidos interromperam as exportações de petróleo venezuelano para Cuba após a deposição do presidente venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, e Trump ameaçou impor tarifas punitivas a qualquer outro país que enviasse petróleo bruto para Cuba. O México, o maior fornecedor de Cuba juntamente com a Venezuela, também suspendeu seus embarques.

Como resultado, Cuba não recebe um navio-tanque há três meses, segundo o presidente Miguel Díaz-Canel, o que agrava a crise energética que levou ao racionamento rigoroso de gasolina e a uma série de apagões em todo o país de 10 milhões de habitantes. Autoridades de saúde cubanas afirmam que a crise aumentou o risco de mortalidade entre pacientes com câncer em Cuba, especialmente crianças.

Em declarações à imprensa a bordo do Air Force One, Trump expressou solidariedade à necessidade de energia do povo cubano e disse não estar preocupado com qualquer ajuda que o país pudesse prestar ao governo comunista em Havana, pois previa que este cairia em breve por conta própria.

“Se um país quiser enviar petróleo para Cuba agora, não tenho problema nenhum com isso, seja a Rússia ou não”, disse Trump.

“Cuba está acabada. Eles têm um regime ruim. Têm uma liderança muito ruim e corrupta, e se eles conseguirem ou não um navio carregado de petróleo, não vai fazer diferença”, disse Trump. “Eu prefiro deixar entrar, seja da Rússia ou de qualquer outro país, porque as pessoas precisam de aquecimento, refrigeração e todas as outras coisas necessárias.”

Ao mesmo tempo em que expressou preocupação com os cubanos, Trump emitiu uma série de declarações ameaçadoras contra o governo cubano e disse que dedicaria mais atenção ao país, localizado a 150 km da costa dos EUA, depois de lidar com o Irã.

Carga de petróleo poderia sustentar Cuba por um mês

No início de março, os EUA aliviaram temporariamente as sanções contra a Rússia para ajudar a melhorar o fluxo global de petróleo, que havia sido restringido pela guerra entre EUA e Israel com o Irã. No entanto, essa medida também criou exceções que proibiam explicitamente transações envolvendo Cuba e outros locais, como Irã, Coreia do Norte e Crimeia.

O navio Anatoly Kolodkin partiu do porto de Primorsk, na Rússia, transportando cerca de 650 mil barris de petróleo bruto, segundo dados de monitoramento de navios da LSEG. Outros relatos indicam que a embarcação transportava 730 mil barris.

O portal de notícias oficial cubano classificou o carregamento russo como um desafio direto ao bloqueio petrolífero dos EUA, depois de a marinha russa ter escoltado o navio sancionado através do Canal da Mancha a caminho do Caribe.