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Turismo eleitoral? UFAC é acusada de usar rubrica de bolsas para projetar candidato oficial com ‘rota de passagens’ pelo Acre

Esta nova etapa da investigação sobre a Universidade Federal do Acre (UFAC) revela que a assimetria na distribuição de bolsas é apenas a ponta do iceberg. Novos dados e gráficos obtidos pela reportagem indicam que recursos que deveriam sustentar a base da pesquisa científica e a permanência estudantil foram drenados por uma “gastança” com passagens e diárias, coincidindo com o período de pré-campanha eleitoral na instituição.


Se as planilhas de bolsas já assustavam pela concentração de valores em servidores estratégicos, o novo levantamento de despesas de custeio eleva o tom das críticas à gestão da reitora Guida Aquino. Gráficos de execução orçamentária revelam um desembolso de R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) com passagens e diárias nos últimos 24 meses.

A “Rota do Juruá” e o Uso Político da Máquina

O dado mais alarmante da análise espacial dessas despesas é a concentração geográfica. Mais da metade (50%+) desses recursos foi destinada a viagens para Cruzeiro do Sul e cidades vizinhas no Vale do Juruá.

Críticos da administração e membros da comunidade acadêmica apontam que este fluxo intenso de viagens não teve como foco principal a expansão acadêmica, mas sim a pavimentação política da candidatura do Professor Carlos, nome escolhido pela reitora Guida Aquino para sua sucessão.

“O que os gráficos mostram não é um intercâmbio científico, mas uma agenda de projeção pessoal custeada pelo erário em um reduto eleitoral estratégico”, afirma um docente que preferiu não se identificar.


O custo de oportunidade: onde o dinheiro não chegou

A investigação revela uma coincidência orçamentária perversa: na UFAC, a rubrica orçamentária que paga bolsas de estudo é a mesma utilizada para o custeio de passagens e diárias. Isso significa que cada viagem de caráter político retira, diretamente, recursos que poderiam financiar:

O reflexo na avaliação

Enquanto o “turismo administrativo” florescia, a base da universidade definhava. No mesmo período em que os gastos com viagens atingiram o ápice, a maioria dos programas de pós-graduação da UFAC apresentou desempenho abaixo do esperado em avaliações nacionais.

A falta de investimento em bolsas de pesquisa e infraestrutura laboratorial — preteridos em favor das diárias — resultou em notas baixas, colocando em risco o credenciamento de cursos e a atração de novos talentos.


Comparativo de Prioridades (Últimos 24 meses)

Destino do Recurso Impacto Observado Percepção da Comunidade
Passagens/Diárias (R$ 1,2 mi) Concentração no Vale do Juruá Projeção da imagem do candidato oficial
Pós-Graduação Notas abaixo da média (CAPES) Sensação de abandono e falta de fomento
Bolsas Estudantis Valores congelados e editais escassos Rigor excessivo e falta de apoio

Governança e transparência

A utilização de recursos da mesma rubrica para finalidades tão distintas (bolsas vs. passagens) cria um ambiente de baixa transparência. Sem mecanismos de controle que priorizem o gasto acadêmico sobre o administrativo, a gestão atual parece ter optado por “queimar” o orçamento de pesquisa em deslocamentos.

Especialistas em gestão pública reforçam que a concentração de despesas em cidades específicas durante o período que antecede a eleição universitária pode configurar abuso de poder econômico e político, passível de fiscalização pelo Ministério Público Federal (MPF).

A Reitoria ainda não explicou o critério técnico para a priorização de viagens ao Juruá em detrimento do fortalecimento dos programas de mestrado e doutorado que amargam notas baixas.

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