O Crepúsculo de um Ciclo: Bocalom e o Isolamento na Praça da Revolução
O cenário não poderia ser mais simbólico. Sob o silêncio pesado da Praça da Revolução, o prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, gravou no início desta tarde o vídeo que marca, talvez, o momento mais crítico de sua longevidade política. Com um semblante visivelmente abatido, o gestor anunciou o fim de suas pretensões de disputar o Governo do Estado pelo Partido Liberal (PL).
A decisão veio “de cima”. Um telefonema de Valdemar Costa Neto, presidente nacional da legenda, selou o destino de Bocalom após articulações que envolveram o senador Marcio Bittar e o senador Rogério Marinho. O veredito foi curto e definitivo: a candidatura do prefeito não foi aprovada internamente.
Um Líder Sem Exército
Diferente das aglomerações e do fervor que costumam cercar figuras majoritárias, Bocalom desceu de seu gabinete e encontrou uma praça vazia. O isolamento físico refletiu o isolamento político. Sem o apoio da cúpula do partido que abraçou nos últimos anos, o prefeito parece caminhar por um terreno árido, onde a “coerência histórica” que ele mesmo evoca — citando passagens pela Arena e pelo PDS — não foi suficiente para garantir sua sobrevivência na sigla.
”Recebo essa decisão com serenidade, mas também com tristeza”, afirmou o prefeito no vídeo, reafirmando sua identidade como “homem de direita por convicção”.
O Futuro no Horizonte da Incerteza
Embora tenha tentado imprimir um tom de resiliência ao afirmar que já conversa com outras siglas para viabilizar sua candidatura ao Governo, o peso do “não” do PL é devastador. Ao ser rejeitado pela estrutura partidária de Valdemar Costa Neto e pelos caciques locais, Bocalom se vê diante de um desafio hercúleo: encontrar um novo abrigo que lhe ofereça o tempo de TV e os recursos necessários para uma disputa estadual, enquanto lida com a percepção pública de uma liderança que perdeu o grupo.
A saída da Praça da Revolução hoje não foi apenas o fim de um vídeo para as redes sociais; foi o registro de um político que, por ora, parece lutar contra o silêncio de quem outrora o aplaudia.
