O clima anda menos cordial e mais cortante. entre Márcio Bittar, senador, e seu suplente, o deputado federal Eduardo Velloso. Ambos sustentam suas candidaturas ao Senado, mas as palavras já não são apenas recados. Viraram munição, bala trocada.
Recentemente, o senador Márcio Bittar subiu o tom e chamou Velloso de “jeca tatu” (personagem icônico criado por Monteiro Lobato, que representa o caipira brasileiro pobre, atrasado e doente, sendo sinônimo de homem do interior).
Não foi uma crítica casual. Do outro lado, Velloso sustenta que Bittar teve influência direta para que Tião Bocalom fosse candidato, algo que muitos confirmam em voz baixa, mas raramente em público.
O curioso é que Velloso já foi unha e cutícula de Bittar. Caminharam juntos por muito tempo. Hoje, porém, a parceria virou confronto aberto. Para o senador, qualquer desgaste recente parece ter um culpado preferencial.
Comenta-se que uma das condições colocadas por Bittar para caminhar na chapa da vice-governadora Mailza Assis seria direta e sem rodeios. Velloso precisa sair de cena. A lógica é simples. Bittar não admite terceira via no campo político que considera sob sua influência.
Fonte da chamada “terra do abacaxi”, que raramente erra quando o assunto é bastidor, garante que o movimento é estratégico. Consolidar um grupo e eliminar ruídos internos antes que virem candidatura. E Velloso já disse que a sua é pra valer.
A engrenagem não para aí.
Há relatos de que Bittar também manteve diálogos e conversas amistosas com Antônio Rueda, dirigente nacional do União Brasil, e atua discretamente junto ao PSDB para limitar o espaço político de Bocalom, que em outros tempos foi um de seus aliados mais próximos.
A pergunta que começa a ecoar nos meios políticos é inevitável.
Bocalom continuará apostando suas fichas em Bittar?
Enquanto isso, Velloso tenta sustentar uma imagem de lealdade política a Mailza Assis e, apesar da pressão, afirmou a lideranças do MDB que manterá sua posição. Diz que seguirá ao lado de Mailza e apoiará seu projeto político.
No meio desse tabuleiro cheio de disputas, Mailza mantém uma postura diferente. Evita ataques, não estimula conflitos e segue repetindo que seu projeto político precisa ser construído com diálogo e unidade. Entre tantos movimentos de bastidor, ela tenta se colocar acima das disputas pessoais.
Até as convenções, muita água ainda vai passar por baixo dessa ponte.
E na política do Acre existe uma regra antiga que nunca sai de moda.
Esse seringueiro vai ver muita coisa ainda…
