O novo ranking do Instituto Trata Brasil, divulgado nesta quarta-feira, 18 de março de 2026, é o atestado de óbito da eficiência administrativa da Prefeitura de Rio Branco no setor de saneamento. A capital do Acre não apenas permanece no lodo das piores cidades do país, como conseguiu o que parecia impossível: piorar. Ao cair da 97ª para a 98ª posição entre os 100 maiores municípios brasileiros, Rio Branco consolida-se no “Z-3” da infâmia sanitária, à frente apenas de Porto Velho (RO) e Santarém (PA).
O Investimento da Vergonha: R$ 8,99
Enquanto cidades como Campinas (SP) investem mais de R$ 200,00 por habitante para garantir dignidade e saúde, a gestão de Tião Bocalom (PL) reserva uma esmola de R$ 8,99 por pessoa ao ano através do SAERB. É o menor investimento per capita de todo o ranking nacional.
Esse valor ridículo explica por que a cidade vive um colapso invisível:
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Apenas 25% da população tem acesso à rede de esgoto.
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Mais da metade da água tratada (53,35%) é jogada fora em vazamentos, enquanto bairros inteiros sofrem com o desabastecimento crônico.
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Do pouco esgoto que é coletado, menos da metade recebe tratamento adequado. O restante? É despejado in natura nos mananciais, alimentando um ciclo de doenças e poluição.
Discurso de “Tecnologia”, Realidade de Idade Média
A queda no ranking é um golpe direto na narrativa de “modernização” e “cuidado com as pessoas” ostentada pela propaganda oficial. Sob o comando de Bocalom, o SAERB tornou-se um símbolo de ineficiência. Enquanto o prefeito gasta energia política com debates ideológicos e projetos de vitrine, a estrutura básica da cidade apodrece debaixo da terra.
Saneamento é, acima de tudo, saúde pública. Cada real não investido em esgoto reflete em filas maiores nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) com crianças sofrendo de doenças de veiculação hídrica. A omissão do governo municipal não é apenas uma falha de gestão; é um atentado contra a qualidade de vida do riobranquense.
O Abismo entre o Acre e o Brasil que dá certo
O contraste é humilhante. Enquanto a cidade de Franca (SP) ostenta quase 100% de cobertura, Rio Branco caminha em marcha à ré para a Idade Média. O relatório do Trata Brasil aponta um abismo de 70 pontos percentuais de diferença na coleta de esgoto entre os melhores e os piores municípios — e Rio Branco está ancorada no fundo desse abismo.
O veredicto do Ranking de 2026 é claro: a “gestão do produzir” de Bocalom não produz dignidade nas torneiras, não produz esgoto tratado e, principalmente, não produz futuro. Para uma capital que aspira ao desenvolvimento, ocupar a 98ª posição nacional é uma mancha que nenhum discurso político será capaz de limpar.
Os Números do Descaso (Dados Trata Brasil 2026):
| Indicador | Desempenho Rio Branco | Média dos Melhores |
| Posição no Ranking | 98º | 1º (Franca-SP) |
| Investimento/Habitante | R$ 8,99 | R$ 204,46 (Campinas) |
| Perda de Água na Rede | 53,35% | Reduzida/Controlada |
| Atendimento de Esgoto | 25,07% | 98,08% |
