Uma articulação política conduzida pelo ex-governador do Acre e candidato ao Senado, Jorge Viana, para assumir o controle do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no estado acabou frustrada nas últimas horas, em meio ao fechamento da janela partidária e a uma reação imediata da direção nacional da legenda.
Segundo relatos de dirigentes e candidatos do partido, Viana mobilizou aliados políticos e até lideranças comunitárias ligadas ao PDT para tentar convencer integrantes da chapa proporcional a abandonarem o projeto eleitoral do partido e migrarem para a federação formada por Partido dos Trabalhadores, Partido Comunista do Brasil e Partido Verde.
A estratégia, de acordo com integrantes do PDT no Acre, incluía a oferta de salários de até R$ 8 mil mensais e apoio estrutural que poderia chegar a R$ 200 mil para candidatos dispostos a desistir da disputa proporcional pelo partido e aderir ao projeto político liderado pelo petista.
A tentativa de ampliação de influência ocorre poucos dias depois de Viana ter conseguido assumir o controle do Podemos no estado, em articulação com a presidente nacional da legenda, Renata Abreu. No entanto, o movimento acabou produzindo um resultado inesperado: a sigla foi entregue praticamente esvaziada, após a saída de seus principais quadros políticos para partidos da base aliada da governadora do Acre, Mailza Assis, candidata ao governo estadual.
No caso do PDT, a investida encontrou resistência direta da direção nacional. O presidente da legenda, Carlos Lupi, afirmou ao deputado estadual Luiz Tchê — ex-secretário de Agricultura e candidato à reeleição — que o partido permanece sob o controle do grupo atual no Acre, em um gesto interpretado como sinal de fidelidade política e de rejeição às articulações conduzidas por Viana em Brasília.
A tensão dentro do partido nas últimas horas foi confirmada pela secretária estadual de Agricultura, Temilis Silva, que reconheceu o clima de pressão sobre integrantes da legenda. Apesar disso, ela garantiu que a sigla segue alinhada à base política da governadora Mailza Assis no estado.
Presidente regional do PDT, Luiz Tchê afirmou ter sido comunicado diretamente pelos candidatos que compõem a chapa proporcional já formada. São cerca de 25, os quais relataram as abordagens e reafirmaram permanência no partido. Diante da crise política, o parlamentar segue para Brasília nesta noite para tratar de assuntos internos da legenda com a direção nacional.
Nos bastidores da política acreana, a avaliação predominante é que a tentativa de intervenção no PDT acabou se transformando em mais um revés para Jorge Viana, ampliando o desgaste provocado pela movimentação anterior envolvendo o Podemos.
