A Petrobras anunciou um reajuste médio de 55% no preço do Querosene de Aviação (QAV), que passou a vigorar desde 1º de abril. Em resposta, o governo federal já estuda a possibilidade de zerar a cobrança de PIS/Cofins do combustível usado pelas aeronaves para reduzir o impacto nos preços das passagens.
De acordo com Hugo Queiroz, diretor de gestão da L4Capital, o combustível representa cerca de 40% dos custos operacionais das companhias aéreas. Sem medidas compensatórias, o reajuste poderia levar a um aumento de até 20% no preço das passagens aéreas.
“As companhias aéreas, depois desse movimento recente, não vão mais passar ou carregar isso sozinho. Vão distribuir para a população”, afirmou Queiroz. Segundo ele, após recentes reestruturações societárias e de capital, empresas como Azul e Gol estão mais disciplinadas financeiramente e não estão dispostas a absorver essa volatilidade dos preços de combustíveis como fizeram no passado.
Impacto nas rotas regionais
Um dos principais efeitos do aumento do QAV, caso seja repassado integralmente, seria a redução de rotas, especialmente as regionais, que possuem menor taxa de ocupação. “A parte de rotas regionais tende a sentir mais, se esse efeito acontecer. Então você diminui o ritmo de crescimento que essas empresas estavam trabalhando”, explicou Queiroz.
Além da possibilidade de zerar o PIS/Cofins, o governo também discute um pacote para que as distribuidoras repassem apenas uma parte do aumento neste primeiro momento, com o restante sendo diluído em seis meses. Essa medida visa preservar a geração de caixa das companhias aéreas e evitar uma desaceleração brusca na expansão de rotas e na aquisição de novas aeronaves.
Quanto à política de preços da Petrobras, Queiroz avaliou que a empresa tem seguido as regras estabelecidas, fazendo ajustes para lidar com a volatilidade, mas sem abandonar o modelo de paridade internacional. “A Petrobras adequou alguns pontos por conta de volatilidade, mas tem seguido a risca. Acaba atendendo às regras estabelecidas ali e, claro, alguma parte beneficia o ente público, mas a outra também preserva os investidores e acionistas privados”, concluiu.
